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Atualizado às: 21 de janeiro, 2004 - 13h30 GMT (11h30 Brasília)
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Espero total apoio de Lula para reeleição, diz Marta

Marta Suplicy, prefeita de São Paulo
Marta diz que prefeitura foi discriminada no governo FHC

A prefeita Marta Suplicy, candidata à reeleição, diz esperar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participe da maior parte das inaugurações de suas obras previstas para este ano em São Paulo.

“Estamos umbilicalmente ligados ao presidente”, disse Marta, em entrevista à BBC Brasil. Na sua avaliação, ficou mais fácil para a Prefeitura de São Paulo conseguir financiamentos para obras depois que Lula assumiu a Presidência.

Marta afirma não temer a federalização das eleições na cidade, que deverão medir a popularidade do Partido dos Trabalhadores no meio do mandato presidencial. Pelo contrário, acha que a expectativa de melhora no país neste ano deve ajudá-la.

Marta acredita que administrar a cidade ficou mais fácil com o companheiro petista no Palácio do Planalto. “Fomos discriminados no governo Fernando Henrique. Agora São Paulo está tendo o que merece”, afirmou.

Leia a seguir a segunda parte da entrevista com a prefeita paulistana.

BBC Brasil - O presidente Lula vem nesta sexta-feira a São Paulo para inaugurar a fonte luminosa no Parque do Ibirapuera. Ele deve participar da inauguração de outras obras neste ano, até as eleições?

Marta Suplicy - Ele vem para as festividades dos 450 anos especificamente. Inauguração de outras obras vai depender de quando as obras forem entregues, nós temos muitas obras na cidade.

Uma delas é o auditório do Niemeyer (projeto do arquiteto para os 400 anos da cidade, no Parque do Ibirapuera, que nunca chegou a ser construído), que talvez fique pronto em novembro. A obra foi muito atrasada por sucessivas liminares, mas conseguimos ganhar na Justiça. Essa é uma que era para ser entregue em janeiro, mas foi postergada em quase nove meses. Eu espero contar com a presença do presidente na maior parte das inaugurações que tenham sentido para a cidade.

BBC Brasil - A senhora espera que ele suba no palanque para as eleições municipais?

Marta - Acho que o presidente é muito requisitado. Palanque nem existe mais, quase nem se faz muito comício hoje, hoje é tudo muito mais na televisão. Espero total apoio do presidente da República, que foi quem lançou a minha candidatura na primeira vez e para a reeleição também, quando ainda nem se falava nisso. Nós estamos aqui na Prefeitura de São Paulo – e eu pessoalmente – umbilicalmente ligados ao presidente. Espero que a gente possa contar muito com o seu apoio.

BBC Brasil - A senhora espera que a eleição seja federalizada, que ela seja decidida mais em Brasília do que aqui em São Paulo?

Marta - Eleição municipal nunca pode ser federalizada totalmente. É claro que tem um impacto muito grande quem é o presidente da República e como ele está sendo avaliado pela população. Mas a população, quando vota para prefeito, prefeita, ela avalia o cotidiano dela. Como está a educação, o transporte, a saúde, o asfalto na rua dela. Isso é o que pesa mais.

BBC Brasil - A oposição deve bater forte para que isso ocorra, que seja transformado numa eleição nacional. A senhora não vê riscos disso?

Marta - Ao contrário. Eu acho que Lula caminha muito bem na Presidência da República, sua avaliação é ótima e neste ano só tende a melhorar, depois de todo o sofrimento que tivemos no ano passado, e ele sobreviveu. Sobreviveu não, ele manteve os índices de popularidade extraordinários. E neste ano, com tudo melhorando para o Brasil, acho que vai ser muito bom.

BBC Brasil - Há pesquisas de intenção de voto que a colocam em terceiro lugar nas intenções de voto, atrás do ex-prefeito Paulo Maluf e de José Serra. A senhora teme enfrentar Maluf novamente?

Marta - De jeito nenhum, acho que isso tudo é momentâneo. Ganhei do Maluf de 17% dele a 37% meu na outra eleição. Adversário a gente não escolhe, os adversários se apresentam, e a gente enfrenta.

BBC Brasil - Pode-se concluir por essas pesquisas que a população não está satisfeita com o seu governo?

Marta - Eu não tenho essa avaliação, e nada que indica isso. Ao contrário, a população tem recebido bem e tem feito uma avaliação bastante positiva.

BBC Brasil - A senhora disse numa entrevista recente que não vai deixar dinheiro em caixa no governo. O que significa isso?

Marta - Significa que tudo o que eu puder realizar em benefício da população eu vou realizar. Não tem sentido, por exemplo, comentários que dizem “Ah, mas vai gastar todo o dinheiro do BNDES!”. Olha, o dinheiro do BNDES é para transporte. Se eu puder construir o máximo possível de terminais de transporte nesta gestão, por que eu vou deixar o povo sofrendo e dizer que o restante do recurso vai ser usado na próxima gestão? Isso é uma crítica absurda. Nós temos que fazer o que tem que ser feito, e o máximo que eu puder fazer em benefício da população eu farei.

BBC Brasil - A senhora já disse que o governo anterior deixou dívidas que comprometem a Prefeitura pelos próximos 30 anos. O que mudou para a cidade depois da eleição do presidente Lula? Ficou mais fácil conseguir financiamentos para obras em São Paulo?

Marta - Certamente ficou. Basta o exemplo do BNDES, que foi um acordo feito entre (o ex-prefeito Celo) Pitta e (o ex-presidente) Fernando Henrique. Durante toda a gestão de Fernando Henrique, eu tentei obter a passagem desses recursos e não consegui. A mesma coisa com o do BID, quando tivemos toda sorte de empecilhos. Agora com o presidente Lula, ao contrário do que se diz, São Paulo não teve nenhum privilégio, mas teve acesso a tudo a que tinha direito. Coisas especiais nós não tivemos nenhuma.

É bom lembrar que, no governo Fernando Henrique, ele liberou R$ 1,5 bilhão para aurbanização de favelas. Cinqüenta por cento das favelas do Brasil, segundo o IBGE, são na cidade de São Paulo, mas nós não recebemos um tostão desse recurso. Nós fomos absolutamente discriminados nesses anos Fernando Henrique. Pão e água para São Paulo. Então que a gente receba agora o que nos é de direito me parece muito justo com o povo de São Paulo, que é o povo que mais contribui para a União.


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