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Atualizado às: 21 de janeiro, 2004 - 12h26 GMT (10h26 Brasília)
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Para prefeita, transporte definirá futuro de São Paulo

Marta Suplicy, prefeita de São Paulo
Prefeita diz que está disposta a contribuir com expansão do metrô

A prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, acredita que o futuro da cidade depende do transporte, especialmente do metrô, de responsabilidade do governo do Estado.

“Sem um investimento brutal no metrô, a cidade não tem como crescer”, disse Marta, em entrevista à BBC Brasil. Para a prefeita, o transporte definirá as condições da cidade dentro de 50 anos, em seu quinto centenário.

Ela afirma que a Prefeitura está disposta a dar sua contribuição à expansão do metrô, mas até agora o único projeto de parceria é a construção de uma estação por parte do município. Não existe sequer um projeto de integração de tarifas entre os dois governos.

Marta Suplicy acha que São Paulo deve continuar investindo no turismo de negócios e não precisa se preocupar em tentar outros nichos. “É o nosso ramo, onde temos muito sucesso”, afirmou.

A comemoração dos 450 anos de São Paulo, completados neste domingo, dia 25, está sendo patrocinada em boa parte por empresas. Mas a prefeita diz que teve que percorrer um longo caminho até convencer as empresas a investir na parceria com a Prefeitura.

“A imagem era de corrupção, descaso e profundo desprezo do setor privado pelo setor público”, diz ela sobre o início do governo.

A prefeita demonstra irritação quando questionada sobre o aumento dos impostos e taxas municipais. “Não dá para comparar o aumento das contas federais com as taxas de lixo e de iluminação”, afirma.

Leia a seguir a primeira parte da entrevista com a prefeita de São Paulo.

BBC Brasil - Boa parte dos recursos para a festa dos 450 anos está vindo de empresas privadas. A senhora falou muito na campanha em parcerias. Que outros projetos poderiam ser feitos em parceria com empresas?

Marta Suplicy - Nós temos projetos de todo porte. Temos projetos de parceria para manutenção de praças, e isso é sempre bem vindo porque temos inúmeras praças. Temos projetos mais audaciosos, como a participação do Banespa Santander, que comprou 21 mil instrumentos musicais para os CEUs (Centro de Ensino Unificado, o principal projeto da Prefeitura na área de educação), e o Pão de Açúcar, que patrocinou todos os professores necessários para as aulas, durante um ano.

Temos projeto como o da TIM, que deu um auditório, do Niemeyer, no Parque do Ibirapuera. Um presente grande, de R$ 20 milhões, para a cidade. Temos parcerias na área de educação, que eu me lembre bancados pela Votorantim e pelo Unibanco. E agora com os 450 anos da cidade temos em eventos e show também, a Vivo está patrocinando toda a festividade de rua do dia 25.

Tem o patrocínio da Telefônica no planetário do Parque do Carmo. Estamos buscando agora patrocínio para recuperação do planetário do Ibirapuera, já entraram a Petrobras e a Nestlé, mas ainda faltam recursos. A Petrobras também tem sido uma grande parceira, que vai fazer o no Palácio das Indústrias se tornar um museu e a reforma do Mercado Municipal.

BBC Brasil - Como a senhora conseguiu essas parcerias? A que a senhora atribui isso?

Marta - Primeiro a mudança de credibilidade do governo. No primeiro ano, foi muito difícil obter parceiros. As empresas não tinham a menor vontade de ser parceiras da Prefeitura de São Paulo. A imagem era de corrupção, descaso e profundo desprezo do setor privado pelo setor público. Durante um ano, nós tivemos que apresentar propostas e aos poucos fomos adquirindo credibilidade. No segundo ano já tínhamos várias parcerias.

Com os 450 anos isso ficou mais fácil, porque tem um slogan e todo mundo fica animado porque dá mais visibilidade às empresas. Teve um empenho muito grande meu, recebi inúmeros diretores de empresa, bancos etc para pleitear esses recursos.

BBC Brasil - São Paulo é sempre lembrada como uma das maiores do mundo. Existe algum plano para dar uma visibilidade maior, mudar a imagem da cidade no exterior?

Marta - Desde que eu assumi, isso tem sido um empenho pessoal meu. Criamos a Secretaria de Relações Internacionais e conseguimos ter uma inserção boa da cidade no mundo. E com o prestígio do Lula isso triplicou. Vamos trazer neste ano para São Paulo eventos importantes, como o Fórum Mundial da Educação, o Fórum Mundial da Cultura e a Unctad (Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento), com presença ministerial e de 4.900 delegados na cidade.

Nós temos pesquisas que mostram que a cidade já tem um lugar muito especial. A revista Latin Trade, por exemplo, fez em 2003 uma pesquisa com empresários da América Latina na qual São Paulo foi a cidade escolhida como a melhor para fazer negócios.

BBC Brasil - Além do turismo de negócios, tem outro aspecto que a senhora acha que tem que ser mais trabalhado.

Marta – Acho que São Paulo é a cidade do turismo de negócios. Para o brasileiro, é também a cidade do lazer, a cidade é procurada quando se precisa fazer uma cirurgia mais complicada, e também o lugar de gastronomia. Mas a minha idéia é que São Paulo é a cidade do turismo de negócios. É o nosso ramo, que estamos desenvolvendo com imenso sucesso.

BBC Brasil - Como a senhora vê a cidade em 50 anos? Uma cidade caótica, com 30 milhões de habitantes? Uma cidade organizada?

Marta - Acho que o mais importante para a cidade daqui a 50 anos será a organização do transporte. Isso vai depender de um investimento brutal no metrô. Na questão da educação, nós já demos um rumo, na questão do transporte no que compete à Prefeitura também já temos um rumo. Mas, sem um investimento em metrô, uma cidade com 11 milhões não tem como se desenvolver, ainda mais uma cidade que tem que crescer.

BBC Brasil - A Prefeitura já disse que tem intenção de investir no metrô, fazer parcerias com o governo do Estado. Mas isso ainda não foi feito. Quando isso vai acontecer?

Marta - Já temos um entendimento. O Estado iria colocar a saída do Largo da Batata em 2009, e com essa nossa participação vai colocar a saída em 2006. Essa vai ser a primeira participação de peso da cidade de São Paulo no metrô. E no que nós pudermos ajudar, nós vamos.

BBC Brasil - Um aspecto muito criticado nesta administração é o aumento dos impostos, que subiram 30% acima da inflação nesses quatro anos, o que lhe valeu inclusive o apelido de Martaxa. Por que os impostos subiram tanto e como a senhora espera reverter essa imagem negativa neste ano?

Marta - Acho que a imagem não é negativa, e a sua pergunta é equivocada. Quem aumentou impostos foi o Fernando Henrique, que aumentou os impostos no Brasil de 27% para 35%. Foi um baque extremamente alto. Aqui nós fizemos algumas taxas, que foram aprovadas pelo Congresso, como a Cosip, taxa da luz.

A taxa do lixo é uma taxa que várias outras cidades também têm. Salvador cobra um fixo muito acima do de São Paulo. São Paulo é a única cidade que apresentou de forma democrática três possibilidades de a pessoa poder declarar de acordo com o que gasta de lixo. E não fizemos isso para aumentar receita, fizemos porque o aterro da cidade de São Paulo tem vida útil de três anos. Se não tivéssemos tomado essa atitude, teríamos daqui a três anos o que Fernando Henrique teve com o apagão, com a crise de energia, porque não ousou fazer o que tinha que ser feito. Aqui nós fizemos o que tinha que ser feito.

A população no começo se ressentiu, porque ninguém gosta de aumento de impostos, mas está totalmente assimilado. Principalmenhte porque agora vamos levar 40 mil postos de iluminação novos para a periferia da cidade, o que não seria possível sem essa cobrança de R$ 3,50.

BBC Brasil - O aumento de 30% é nos impostos e taxas municipais, embora a carga tributária federal também tenha aumentado nos últimos anos...

Marta - Acho que você não pode comparar o que aumentou na conta de energia, na conta de telefone, que é tudo federal, feito por Fernnado Henrique Cardoso, com R$ 3,50 que é a taxa de luz, e R$ 6,15, que é a taxa de lixo paga pela maioria da população.


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