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Atualizado às: 23 de janeiro, 2004 - 22h39 GMT (20h39 Brasília)
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Executivo da Parmalat morto seria interrogado

Parmalat
Escândalo da Parmalat já resultou em várias prisões

Alessandro Bassi, funcionário na contabilidade da Parmalat Itália encontrado morto na tarde desta sexta-feira nos arredores de Parma, seria ouvido novamente pelos investigadores que cuidam do caso do rombo de mais de 10 bilhoes de euros (R$ 35,7 bilhões) da multinacional.

Na terça-feira passada, o ex-assistente do último diretor fincanceiro do grupo, Luciano del Soldato, tinha sido interrogado pela procuradora de Parma, Antonella Ioffredi, como "pessoa informada sobre o caso", pois não estava oficialmente "sob investigação".

Segundo pessoas proximas à familia de Bassi, ele estava "desnorteado" e "muito preocupado" com a situação da empresa.

Por ora, a polícia suspeita de suicídio, mas precisa esperar a autópsia e ouvir a família para confirmar a tese. Não há testemunhas, e Bassi não deixou nenhum bilhete explicando o gesto.

Carro estacionado

O corpo foi encontrado debaixo de uma ponte nas margens do rio Ceno. Seu carro estava estacionado em cima da ponte, a 20 metros de altura.

"Um suicídio inexplicável", na opinião de Giovanni Ponti, um dos advogados de Fausto Tonna, o diretor financeiro anterior a Luciano del Soldato.

Atualmente preso em Parma, Tonna é acusado de falsificar documentos e balanços e de ser um dos responsaveis pelo rombo.

O ex-diretor financeiro e braço direito do fundador e ex-presidente Calisto Tanzi está colaborando ativamente com os juízes, e suas declarações estão ajudando a reconstruir a quebra da holding italiana.

Nos depoimentos da quinta-feira, Fausto Tonna teria feito uma lista de nomes de pessoas e empresas beneficiadas com depósitos da familia Tanzi.

Segundo a imprensa italiana, esses declarações dariam uma guinada decisiva nas investigaçoes.

Mas o nome de Bassi não teria sido citado em nenhum dos interrogatórios de Tonna, garantiu o advogado Ponti.

'Mãos Limpas'

A morte de Alessandro Bassi, 42 anos, que trabalhava há cerca de dez na Parmalat, recorda o drama dos suicídios provocados pela "Operação Mãos Limpas", a grande devassa da magistratura de Milão no mundo político italiano, que nos anos 90 desvendou casos de corrupção entre políticos, empresários e juízes.

Cinco pessoas investigadas pelos juízes de Milão naquele período, algumas delas detidas, suicidaram-se. Entre eles Raul Gardini, ex-presidente do grupo Ferruzzi.

"O fluxo de notícias que saem das procuradorias e aparecem nos jornais é idêntico ao que houve no período da Mãos Limpas", comentou Chiara Moroni, filha do deputado socialista Sergio Moroni, colaborador de Bettino Craxi que se suicidou após ser acusado de corrupção.

"Ler o próprio nome nos jornais nesse contexto tem um efeito devastante sobre a psicologia de uma pessoa", disse Chiara Moroni.

Na opinião do deputado Nando Dalla Chiesa, que chegou a fazer um estudo sobre os "suicídios judiciários" entre 1991 e 1996, "a Parmalat é um grande caso de primeira página e se tornou, no imaginário coletivo, a vergonha nacional".

O possível suicídio desta sexta, a seu ver, demonstra que "isso pode acabar com quem se sente mais fraco".

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