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Atualizado às: 19 de janeiro, 2004 - 14h53 GMT (12h53 Brasília)
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Primária em Iowa tem valor mais simbólico que prático

O pré-candidato democrata Howard Dean em campanha em Iowa
Votação pode impulsionar campanhas como a de Dean

Por definir menos de 3% do número total de delegados para a convenção nacional escolhendo o candidato do Partido Democrata, o cáucus de Iowa tem na verdade pouco peso prático mas uma enorme influência simbólica.

Analistas explicam que por ser a primeira consulta oficial do país – a capital Washington já fez uma primária informal no dia 13 de janeiro – o candidato que tiver um bom desempenho por aqui vai ganhar grande exposição na mídia e por conseqüência atrair mais eleitores e doadores para financiarem suas campanhas.

Em cáucus, os moradores de uma determinada região se reúnem em salas espalhadas pelo Estado – quase 2 mil só em Iowa – e demonstram suas preferências por um ou outro candidato se juntando em pequenos grupos que se espalham pelo espaço de assembléia.

Os resultados de cada local são enviados à capital do Estado para que o partido calcule quantos delegados cada um dos candidatos vai enviar à convenção estadual, que por sua vez decide quem vai à convenção nacional.

Inviabilidade

Candidatos que em uma sala não consigam reunir pelo menos 15% dos presentes são considerados inviáveis e seus partidários podem voltar para casa ou migrarem para o grupo de outro candidato mais forte.

“Ter uma segunda opção é uma das coisas mais interessantes do cáucus porque quando votamos é aquilo e acabou”, disse o professor do departamento de espanhol e português da Universidade de Iowa, Brian Gollnick.

O professor diz – embora sem muita segurança – que pretende entrar no grupo de Howard Dean na noite da segunda-feira.

O pré-candidato Dick Gephardt
Dick Gephardt, em campanha em Des Moines, Iowa

“Minha segunda opção deve ser John Kerry e posso até apoiar John Edwards, mas de modo algum Gephardt”, diz Gollnick explicando que não gosta do representante do Estado do Missouri, um político muito “institucionalizado”.

“E não acho que Gephardt tenha qualquer chance de vencer George W. Bush, que é o meu principal objetivo agora”, afirmou, ecoando uma opinião bastante comum atualmente entre os eleitores do Partido Democrata.

Raízes

O sistema todo de cáucus pode paracer um tanto confuso para quem não está acostumado – e mesmo americanos que nunca foram a um cáucus têm dificuldades para entender como o processo funciona – mas os frequentadores louvam o sistema como mais democrático do que uma eleição.

“Aqui a gente vê de fato a política comunitária e de raiz sendo feita”, disse Peter Reed.

“Moro aqui em Iowa há apenas cinco anos e antes eu morava em Nova York, onde há primárias e não cáucus”, explicou.

O eleitor apóia o candidato Denis Kucinich, um deputado de Ohio, considerado – ao lado do reverendo Al Sharpton – como um dos proponentes com menores chances de conseguir a nomeação.

Reed sabe disso, mas faz questão de tentar ajudar o seu candidato a conseguir pelo menos superar a linha de corte de 15%.

“O importante é que Kucinich consiga passar aqui em Iowa para continuar na disputa”, disse.

Mas se tudo der errado, Reed também já tem uma segunda opção na manga.

“Acho que Howard Dean e Dennis Kucinich são os dois candidatos mais próximos ideologicamente dentro do Partido Democrata.”

Esquerda

Kucinich é considerado pelos analistas o candidato mais à esquerda este ano, defendendo uma retirada imediata dos americanos não só do Iraque, mas também da Organização Mundial do Comércio (OMC) e das negociações da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

Mesmo nas pesquisas mais generosas, Kucinich não passa de um índice de 5% de apoio, mas Brian Gollnick explica que a dinâmica de um cáucus pode fazer com que o candidato se dê bem em algumas áreas.

O professor cita como exemplo o condado de Johnson, onde fica a Cidade de Iowa.

“Aqui é bem possível que ele acabe em segundo lugar”, diz.

Isso porque a cidade que abriga a principal universidade do Estado é conhecida pelas posições mais liberais – termo que no léxico político americano significa esquerdista – de seus moradores.

“Tanto é que a cidade ganhou o apelido de People´s Republic of Iowa City (República Popular da Cidade de Iowa)”, conta Gollnick.

O apelido, que faz referência a países socialistas – como a República Popular da China ou a República Popular do Vietnã – começou a ser usado por conservadores como uma forma de atacar os liberais da região.

“Mas muita gente gostou da idéia e hoje diz com orgulho que mora na República Popular da Cidade de Iowa.”

O advogado Robert Clower diz que está “ansioso” para chegar ao cáucus.

Ele já tem candidato certo: John Kerry, de quem inclusive exibe uma placa na entrada de sua casa.

“Ao contrário de uma votação tradicional, o cáucus faz as pessoas conversarem umas com as outras e ajuda a chegarmos a uma eleição sem tanta apatia.”

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