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Atualizado às: 21 de janeiro, 2004 - 20h45 GMT (18h45 Brasília)
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Paris ressuscita bondes para melhorar trânsito

Bertrand Delanoë
Prefeito Bertrand Delanoë quer desestimular uso de carros na cidade

Desde que assumiu em 2001, o prefeito de Paris, o socialista Bertrand Delanoë, tomou várias iniciativas para desestimular o uso de carros, com o objetivo de melhorar o trânsito na capital francesa.

Uma de suas criações são os chamados ''bairros verdes'', onde a velocidade é limitada a 30 Km/h e a direção das ruas para os carros foi alterada de tal forma que a área se tornou um verdadeiro labirinto.

O objetivo é evitar que os motoristas que não moram no local atravessem o bairro para ''cortar caminho''. Pistas para os carros também foram eliminadas para permitir a ampliação das calçadas.

Cinco ''bairros verdes'' já foram criados na capital francesa e cerca de 15 outros estão previstos.

Bondes

Outro projeto concreto é o do bonde parisiense, que deve entrar em funcionamento em 2006 e circulará, inicialmente, no sul da capital, em um região limítrofe à periferia.

O bonde deverá ser estendido no futuro ao leste e norte da cidade, passando por todas as chamadas “portas”, pontos de acesso à capital.

Metrô de Paris
Cidade tem 14 linhas de metrô

O orçamento do bonde é separado dos demais investimentos realizados para diminuir o fluxo de automóveis na capital.

Mais polêmica e criticada por motoristas é a eliminação de pistas utilizadas pelos carros, em ruas e avenidas de grande movimento na cidade, para a criação de corredores para ônibus e táxis.

Um desses corredores foi criado na rue de Rivoli (onde fica a prefeitura), um eixo importante da cidade, que liga a Place de la Bastille à Place de la Concorde.

Se os automobilistas estão descontentes, o mesmo não ocorre com os usuários de ônibus.

Segundo uma pesquisa feita pelo Sindicato dos Transportes d’Ile de France em 2003, 60% dos entrevistados constataram uma melhora no tempo de realização do trajeto. E 76% desejam que essa política do sistema de transportes continue.

A prefeitura de Paris investiu cerca de 400 milhões de euros (cerca de R$ 1,5 bilhão) nos últimos três anos em obras para adaptar a cidade a essa estratégia de limitar a circulação de veículos.

Foram criados também ''espaços civilizados'' em alguns bairros movimentados da cidade.

Bicicletas

Vários projetos já foram colocados em prática para estimular o uso do transporte público, que é bastante eficiente na cidade (existem, por exemplo, 14 linhas de metrô em Paris).

E também o uso da bicicleta como meio de locomoção. A capital francesa já conta com 258 km de pistas para bicicletas e mais 30 km serão construídos neste ano.

O fluxo de bicicletas nas ruas aumentou 39% nos nove primeiros meses de 2003 (último dado disponível), segundo a prefeitura de Paris.

Para incitar os parisienses a deixarem o carro em casa, a prefeitura também reduziu a tarifa do estacionamento nas ruas em 80% (os moradores em Paris não têm, normalmente, garagem em casa).

Com um cartão de estacionamento residencial, o parisiense paga agora uma tarifa de 50 centavos de euro por dia (pouco menos de R$ 2) e pode deixar o carro no mesmo local na rua durante uma semana. Antes, a tarifa podia atingir 3 euros por dia.

A prefeitura informa que essas inúmeras medidas já resultaram em uma diminuição de 3% do fluxo de automóveis nas ruas da capital. Diariamente, 3 milhões de veículos circulam em Paris. Até o próximo ano, a redução deverá ser de mais de 5%, segundo a administração municipal.

A assessora de comunicação Brigitte Doliget, que mora próximo ao Jardim do Luxembourg, em uma região central da cidade, diz que apesar de todas essas mudanças que dificultam a vida dos motoristas, ela não deixará de usar o carro todos os dias.

Pedágio

''Evito as ruas e avenidas que ficaram congestionadas por causa da diminuição das pistas. Faço outros trajetos, com desvios maiores, e saio com mais antecedência porque demoro mais tempo para chegar ao local, mas vou de carro'', diz ela.

Brigitte reconhece, no entanto, que as iniciativas da prefeitura desencorajaram muitos motoristas, como sua filha, que passou a ir ao trabalho de metrô.

''Não tenho certeza de que o fluxo de veículos tenha realmente diminuído'', afirma.

''Além dos desvios de caminhos que os parisienses passaram a fazer para evitar o trânsito nessas áreas sensíveis, há o enorme fluxo de moradores da periferia que vêem a Paris de carro'', diz ela.

Paris descarta, pelo menos até o momento, a criação de pedágios urbano, como em Londres.

''Isso criaria uma segregação em nível financeiro. Somente as pessoas com melhor renda poderiam utilizar o carro. E também uma segregação geográfica entre os parisienses e os moradores da periferia, que poderiam interpretar a medida como uma barreira para ter acesso à capital'', diz Bernard James, da direção de Transportes da prefeitura.

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