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Atualizado às: 09 de janeiro, 2004 - 22h40 GMT (20h40 Brasília)
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Não faltam iniciativas diplomáticas no Oriente Médio

Sinalização em base militar nas Colinas de Golã
Alguns israelenses estão pressionando para conversações de paz com a Síria

Não faltam iniciativas diplomáticas no Oriente Médio. A Líbia está conversando com Israel. O Egito está conversando com o Irã. A Turquia está passando mensagens de Israel para a Síria.

Na verdade, os únicos povos que praticamente não conversam um com o outro são os israelenses e os palestinos.

Esse é o plano geral da diplomacia. As discussões não são sobre um assentamento ou uma rua, mas sobre Estados e entre Estados que não se mostram dispostos ao diálogo há, pelo menos, uma geração.

"A guerra contra o terrorismo lançada pelos americanos no Afeganistão e no Iraque aproximou Israel e os seus vizinhos árabes como nunca", disse Efraim Halevy, ex-chefe do Mossad.

Conversando com jornalistas estrangeiros em Jerusalém, Halevy disse que o potencial para mudanças na região é maior agora do que durante a primeira metade do século 20, quando as grandes potências redesenharam o mapa do Oriente Médio.

Esperança pouco realista? Havia certamente um clima verdadeiro de otimismo em Israel quando surgiu a notícia de que haviam sido feitos alguns "contatos iniciais" com a Líbia.

Mas autoridades israelenses minimizaram as expectativas de que possam ser restauradas relações normais entre os dois países com facilidade ou rapidez.

Velho inimigo

Ainda há menos otimismo sobre a Síria.

O presidente Bashar al-Assad quer conversações. Israel impõe condições. Elas parecem refletir a cautela do primeiro-ministro Ariel Sharon ao lidar com o velho inimigo do Estado judaico.

Antes de mais nada, o governo sírio terá que coibir as atividades do Hezbollah, envolvido em uma guerra de guerrilha esporádica contra Israel, em sua fronteira norte.

Outras exigências incluem o fechamento dos escritórios do Hamas e do Jihad Islâmico na capital síria, Damasco, um acordo para a troca de prisioneiros por soldados israelenses que desapareceram no Líbano, e a permissão para que os despojos do espião Eli Cohen sejam repatriados para sepultamento em Israel.

Alguns israelenses acreditam que o presidente Assad não leva a sério as conversações. Se levasse, dizem eles, Assad teria usado canais diplomáticos ao invés de pedir conversações em uma entrevista no jornal britânico The Daily Telegraph.

Os jornais em Jerusalém também noticiam que representantes americanos disseram que mesmo que o presidente sírio quisesse assinar um acordo de paz com Israel, eles não acreditam que Assad fosse forte o suficiente para fazer isso.

A principal exigência tanto de Israel quanto dos Estados Unidos é que a Síria feche o que acreditam que sejam seus programas de armas químicas e biológicas. Por pouco a Síria não admitiu a existência de tais programas.

Conversações de paz

Representantes americanos dizem que o presidente Assad ainda não aceitou o fato de que as tropas americanas estão em suas fronteiras. Outros discordam.

"A Síria é um país isolado, com um regime tirânico que tenta sobreviver em face a uma maré histórica que está varrendo tais tiranias", dise o atual ministro das Finanças de Israel, Binyamin Netanyahu.

Netanyahu disse à rádio israelense: "A Síria precisa de um acordo de paz conosco tanto quanto precisa de ar para respirar; eles precisam disso muito mais do que nós. Nós estamos em posição de vantagem."

Netanyahu acredita que a Síria está enfraquecida no momento e pode ser pressionada a aceitar a paz sem que Israel tenha que abrir mão de toda a região das Colinas de Golã.

É por isso que há gente em Israel que está fazendo pressão para que se responda positivamente à abertura Síria.

O presidente da Comissão de Defesa e Relações Exteriores do Knesset (Parlamento israelense) – um aliado de Netanyahu – pediu que Assad seja convidado para conversações de paz em Jerusalém, da forma como se convidou no passado o presidente Sadat, do Egito.

Tudo isso é um sinal de que a guerra do Iraque transformou a situação estratégica no Oriente Médio. As guerras têm uma forma de fazer isso.

Algumas coisas continuam iguais. Dando uma olhada nos jornais israelenses nesta sexta-feira, encontrei um desses artigos que trazem preocupação sobre o conflito entre israelenses e palestinos.

A notícia, no jornal Haaretz, diz: "Era uma noite terrivelmente fria no posto de fiscalização de Deir Balut e Lamis Mustafa, que estava em trabalho de parto, implorou para poder ser levada ao hospital. Os soldados a retiveram por cerca de 90 minutos. Ela deu à luz no posto. Nem ela, nem o bebê sobreviveram."

O panorama diplomático está mudando. A questão é se isso vai alterar a triste dinâmica do conflito em Israel depois de mais de três anos de banho de sangue.

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