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Atualizado às: 29 de dezembro, 2003 - 18h18 GMT (16h18 Brasília)
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Canibal não tem problemas mentais, diz médico
Armin Meiwes comeu um homem para "estimular suas emoções"
Armin Meiwes comeu um homem para "estimular suas emoções"

O canibal alemão Armin Meiwes, que está sendo julgado por ter assassinado e comido um homem que conheceu pela internet, não tem problemas mentais, segundo o depoimento dado por um psiquiatra nesta segunda-feira.

Heinrich Wilmer, que entrevistou Meiwes depois de ele ter sido preso e elaborou um relatório sobre o estado psiquiátrico do prisioneiro, disse em um tribunal que o canibal pode ter um distúrbio de personalidade, mas não precisa ser internado em um hospital psiquiátrico.

A promotoria acusa Meiwes de assassinato, apesar de aceitar que o homem morto e devorado era uma vítima disposta.

Os advogados de Meiwes alegam que ele é culpado, no máximo, de "matar a pedido".

Meiwes pode ser condenado à prisão perpétua por assassinato, mas os chamados "assassinatos por misericórida" - cumprindo pedidos - são punidos com penas de até cinco anos de prisão. Na Alemanha, o canibalismo em si não é crime.

Abandonado pelo pai

A promotoria afirma que Meiwes, um técnico de computadores de 42 anos de idade, matou e devorou o engenheiro Bernd-Juergen Brandes em 2001 para satisfação sexual.

O psiquiatra disse que a motivação foi menos sexual do que o desejo de preencher um vazio causado pelo fato de o pai do canibal ter abandonado o filho e o resto da família quando Meiwes ainda era pequeno.

Mas Wilmer acrescentou: "Meiwes estava pensando mais nele mesmo no momento do ato... ele estava satisfazendo um sonho".

Segundo o psiquiatra, o acusado publicou o primeiro anúncio na internet - procurando uma vítima - numa mistura de "farsa e loucura", mas logo passou a levar o assunto a sério.

Ele disse ao tribunal em Kassel que Meiwes é imaturo e não tem autocontrole, e que comer carne humana serviu como uma forma de estimular as emoções dele.

Ele disse que a reação de Meiwes durante o julgamento, que está recebendo extensa cobertura da mídia, era como "a de uma criança excitada com o Papai Noel".

Ele lembrou ainda que o réu demonstrou pouca emoção ao falar do assassinato.

"Foi como sentar em frente a um cientista que relata uma experiência", disse ele.

Ele se recusou a comentar se acreditava que Meiwes voltaria a cometer o mesmo ato.

A polícia prendeu o canibal alemão em dezembro de 2002, depois que outro anúncio procurando uma vítima para ser devorada foi publicado na internet.

O julgamento começou no último dia 3. Meiwes confessou, com detalhes, o assassinato de Brandes no dia 10 de março de 2001.

Ele filmou a maior parte do ocorrido em vídeo. Algumas cenas foram mostradas no tribunal, no início do mês.

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