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Etiópia pode ter nova crise alimentar, alerta cientista
Um cientista da Etiópia acredita que os esforços do país para produzir alimentos para a sua população e evitar mais uma onda de fome estão sendo prejudicados pelas políticas adotadas pelos países ricos e instituições de ajuda do Ocidente. Tewolde Egziabher, da Autoridade de Proteção Ambiental do país, disse que a Etiópia pode se tornar auto-suficiente em termos de comida. No entanto, ele advertiu que a insistência de países do Ocidente em buscar, no setor privado, soluções para a fome tem impossibilitado a Etiópia de construir armazéns para seus alimentos. Por isso, o país foi incapaz de guardar as sobras de anos em que teve boas colheitas para alimentar a população em anos em que a agricultura teve problemas. Críticas Tewolde Egziabher, que representa a Etiópia em muitos encontros internacionais e é, na prática, o ministro do Meio Ambiente do país, disse que as instituições ocidentais estão determinadas a permitir que apenas o setor privado fique encarregado de proteger o estoque de alimentos do país. Isso estaria impedindo que o país possa obter os empréstimos necessários para construir silos e armazéns. Na metade dos anos 80, estimava-se que quase um milhão de etíopes estivesse morrendo de fome. Teme-se que milhares de outros possam ser, no futuro, novamente vítimas do problema.
Tewolde não descartou a volta da fome. "A Etiópia vai evitar uma crise alimentar apenas se o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e a Agência Americana de Desenvolvimento Internacional (Usaid, na sigla em inglês) permitirem que nós possamos obter os empréstimos necessários." "No ano passado, 14 milhões de pessoas, menos de um quarto da população, dependiam de alimentos vindos do exterior. Este ano, a colheita deve ser 60% maior do que a do ano passado." "Mas o Banco (Mundial), o FMI e a Usaid estão nos impedindo de obter os empréstimos que necessitamos para construir a infra-estrutura de que precisamos para conservar o que sobrar", disse. Vegetais modificados "Eu não tenho dúvida de que a Etiópia pode cultivar o suficiente para se alimentar: há muitos anos produz mais do que precisa, e os fazendeiros não sabem o que fazer com todos os grãos", continuou. O desespero dos etíopes há 20 anos causou comoção em todo o mundo. Tewalde, que completou seu doutorado em biologia na Grã-Bretanha, liderous os países em desenvolvimento em negociações que levaram ao surgimento do Protocolo de Cartagena de biosegurança. No entanto, talvez surpreendentemente, ele não descarta que vegetais geneticamente modificados possam ajudar países como a Etiópia. Ele diz não ser contra esse tipo de avanço em princípio, mas defende cuidado extremo na sua introdução e que as culturas geneticamente modificadas sejam submetidas ao controle público. "O mundo enlouqueceu. É a primeira vez você tem uma nova tecnologia como essa, e ela fica nas mãos da iniciativa privada. O setor privado surgiu como um deus nos últimos 15 anos, e nós temos agora que provar que esse deus não é infalível." |
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