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Fome na África só vai piorar em 20 anos, alertam cientistas
Cientistas reunidos no Quênia alertaram nesta segunda-feira que o problema da fome na África vai piorar nos próximos 20 anos, se não forem tomadas medidas para preservar as fontes de água da região. Segundo os especialistas, a crescente escassez de água deve deixar os africanos sem os recursos necessários para cultivarem os alimentos que necessitam. Os cientistas – do Grupo Consultor em Pesquisa Agricultural Internacional (GCPAI) – fizeram o alerta no lançamento do Programa Desafio para Comida e Água, em Nairóbi. O programa tem como objetivo encontrar meios de melhorar o gerenciamento da água disponível, e trabalha com tecnologias para aumentar a quantidade de grãos cultivados e ao mesmo tempo diminuir a quantidade de água necessária para produzi-los. Se as tendências atuais persistirem, estima-se que um terço da população mundial será afetada por problemas relacionados à falta de água em 2025. No caso da África, se nada for feito, dizem os cientistas, grandes partes do continente vão se tornar ainda mais dependentes de ajuda externa. Perdas anuais de colheita na África podem chegar a representar o total de grãos produzidos nos Estados Unidos e na Índia. Meio bilhão sem água Entre os objetivos do programa lançado em Nairóbi, está a busca de grãos mais resistentes a seca e de métodos de cultivo que combinem agricultura e criação industrial de peixes. O GCPAI afirma que projeções de escassez de água na região ao sul do deserto do Saara sugerem que o consumo doméstico, por volta do ano de 2025, apresentará um aumento maior do que em qualquer outra parte do mundo. Sem uma mudança em termos de políticas e investimentos, o número de africanos sem acesso a água potável mais que duplicará, chegando a 401 milhões. Perspectivas mais pessimistas dizem que o total pode chegar a 523 milhões de pessoas. "Haverá uma queda de 23% na colheita, causada por insuficiência de água, e a importação de cereais terá que triplicar para 35 milhões de toneladas, nos próximos 23 anos, para atender à demanda", afirma a organização. "Nestas condições, muitos países africanos mais pobres serão incapazes de financiar as importações necessárias de comida, levando ao um aumento nos níveis de fome e desnutrição, além de uma maior dependência em ajuda internacional." Segundo Frank Rijsberman, da GCPAI, o problema "afetará o futuro de todos" e, portanto, precisa ser tratado como uma questão global. "Os subsídios agrícolas na América do Norte e Europa determinam onde a comida é cultivada, e as decisões políticas tomadas na Organização Mundial do Comércio são, provavelmente, os fatores dominantes na demanda global por comida, e, consequentemente, na água necessária para produzir esta comida." Soluções de longo prazo A agricultura consome cerca de 70% da água usada mundialmente – em países em desenvolvimento, essa proporção chega a 90%. A GCPAI afirma que isto está acirrando as diferenças entre as necessidades dos fazendeiros e as do meio ambiente. Nos últimos 50 anos, 40% dos mananciais do mundo foram perdidos.
Seus pesquisadores trabalharão em nove bacias fluviais na África, Ásia e América do Sul, usando-as como laboratórios-vivos para as pesquisas. Um projeto, já aprovado, pesquisará como melhorar variedades de cevada na Etiópia. Outro buscará maneiras de utilizar água de enchentes para criar peixes, melhorando o índice de nutrição da população e combatendo a pobreza. Este projeto incluirá as bacias do rio Ganges na Ásia e Níger, na África. A equipe da GCPAI vai usar o esquema, avaliado em US$ 120 bilhões, para ligar 37 rios e irrigar áreas afetadas no oeste da Índia até 2016. |
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