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Atualizado às: 10 de dezembro, 2003 - 13h14 GMT (11h14 Brasília)
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Amorim reage à exclusão do Brasil na reconstrução do Iraque

Celso Amorim, ministro das Relações Exteriores
Ministro defende a lógica de manter uma política externa ativa e ousada

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, comentou na Líbia a exclusão do Brasil da lista de 63 países elegíveis para competir por contratos na reconstrução do Iraque divulgada pelo Departamento de Defesa americano.

Amorim defendeu que a política externa brasileira não deve seguir necessariamente a lógica comercial. Além do Brasil, outros países excluídos são França, Alemanha e Rússia, nações que se opuseram à guerra no Iraque.

"Isso (a lista) é mais um motivo para que o Iraque obtenha a sua soberania", disse Amorim, ao defender que são os iraquianos que devem decidir sobre seu destino econômico.

O ministro também defendeu a lógica de manter uma política externa ativa e ousada. "Quem não tem posição própria e independente não é chamado para nada", disse.

Multilatelarismo

Amorim também comentou as informações de que o presidente Lula fez críticas aos Estados Unidos durante sua reunião com os membros da Liga Árabe.

Sobre o fato de Lula ter dito que os Estados Unidos erraram ao promover a guerra, Amorim disse que esta é uma opinião do Brasil já conhecida.

O chanceler explicou ainda o contexto em que Lula citou o embaixador José Maurício Bustani – embaixador brasileiro em Londres que, durante cinco anos, foi diretor da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).

Durante sua gestão à frente da organização, Bustani entrou em conflito com os Estados Unidos, que supostamente não concordavam com sua política.

Na época, Bustani afirmou que foi tirado da organização por causa da pressão brasileira e da falta de apoio do Brasil no governo de Fernando Henrique Cardoso.

Segundo Amorim, Lula utilizou o caso para ilustrar os problemas da falta de multilateralismo atual.

Estados Unidos

Apesar das afirmações de Lula, Amorim reforçou a idéia de que não há uma confrontação com os americanos.

"Agindo desta forma, o Brasil não põe em risco a sua relação com os Estados Unidos."

A entrevista do ministro foi concedida em Trípoli, na Líbia, durante o último dia da viagem de Lula a cinco países árabes – além da própria Líbia, o presidente visitou Síria, Líbano, Emirados Árabes e Egito.

No final desta quarta-feira, após um segundo encontro com o coronel Muammar Kadafi, o presidente retorna para Brasília.

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