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Atualizado às: 04 de dezembro, 2003 - 19h36 GMT (17h36 Brasília)
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O que acontece no Iraque é uma ocupação, reforça Amorim

Foto: Ricardo Stuckert/ Presidência da República
Lula, Al-Assad e primeiras-damas dos dois países, em Damasco

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o termo "ocupação" usado no comunicado conjunto do Brasil e da Síria sobre o Iraque descreve um fato e não um juízo de valor.

O ministro afirmou que o termo não foi usado para dizer se o Brasil acredita que a ocupação é legítima ou não. "Quando houve a guerra, sem a autorização de uma resolução da ONU, o que ocorreu foi obrigatoriamente uma ocupação."

O ministro diz que a resolução aprovada posteriormente com o objetivo de legitimar a presença americana no Iraque não muda o fato de que o país vive sob ocupação.

O ministro disse ainda que o comunicado conjunto foi acertado previamente entre os dois países e que algumas alterações foram feitas durante a visita.

Celso Amorim afirmou que espera que os Estados Unidos não tomem a expressão "ocupação" usada no texto como um ataque aos americanos. "A própria BBC (britânica) e a CNN falam diariamente de 'forças de ocupação' no Iraque", disse Amorim. E completou: "é um termo correto".

As declarações de Amorim foram feitas em resposta a perguntas de jornalistas sobre eventuais polêmicas que poderiam ser causadas pelo comunicado conjunto.

Comunicado

O comunicado conjunto foi divulgado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu colega sírio, Bashar Al-Assad, nesta quinta-feira. No comunicado, eles pediram a aceleração do processo de transferência do poder no Iraque.

O texto do documento diz que é preciso "dar passos acelerados para pôr fim à ocupação do país" e defende que seja concedido à Organização das Nações Unidas (ONU) "um papel fundamental para que o povo iraquiano possa exercer sua soberania, escolher seu próprio governo e garantir a integridade de seu território".

O comunicado foi divulgado durante o encerramento oficial da visita de Lula à Síria. Em um encontro na manhã desta quinta-feira, os dois presidentes também trataram da realização de uma reunião de cúpula entre países árabes e sul-americanos, que deve ocorrer no ano que vem.

Segundo o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, Lula e Assad falaram sobre o assunto no final da reunião, que também contou com a participação das esposas dos dois presidentes.

A proposta para o encontro é brasileira e uma data possível é agosto de 2004. A intenção é unir os países da Liga Árabe e os sul-americanos para aumentar as relações comerciais entre os dois grupos.

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