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Atualizado às: 08 de dezembro, 2003 - 15h38 GMT (13h38 Brasília)
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Má tradução e atraso de Lula criam mal-estar no Egito

Foto de Antonio Milena/ABR
Mubarak está no poder desde a morte de Sadat, em 1981

O atraso de mais de uma hora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua chegada ao Egito e falhas da tradução durante a apresentação conjunta do presidente com o seu colega Hosni Mubarak causaram constrangimentos na quarta etapa do giro do presidente pelo Oriente Médio.

Mubarak não escondeu a sua impaciência durante a apresentação que os dois presidentes fizeram à imprensa nesta segunda-feira.

Um jornalista pediu para que ele comentasse o fato de o Brasil e o Egito terem posições semelhantes sobre a questão palestina, a disputa na OMC (Organização Mundial do Comércio) entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, e o desejo comum dos dois países de se tornarem membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

O presidente egípcio, inicialmente, não entendeu a tradução. Quando a pergunta foi repetida, em inglês, ele demonstrou acreditar que a questão fosse vaga demais.

Mubarak teve que viajar à Europa nesta segunda-feira, e encerrou rapidamente a conversa com os jornalistas.

A tradução, feita por um funcionário vinculado ao Itamaraty, também foi problemática. Em um momento o intérprete errou a data da visita de Dom Pedro 2º à região, trocando 1876 por 1976, ao que os jornalistas egípcios contestaram e corrigiram.

O tradutor também excluiu partes do discurso de Lula, como por exemplo o trecho em que ele falou sobre a alegria de estar no Egito.

Palestina

Na sua chegada ao país, pela manhã, Lula afirmou que os dois presidentes têm posições semelhantes sobre a situação no Oriente Médio.

"É com muita alegria que eu posso dizer à imprensa do Egito e do Brasil que o presidente Mubarak e eu temos concordâncias em relação ao conflito no Oriente Médio e queremos solucioná-lo o mais rápido possível", afirmou o presidente.

A agenda de Lula no Egito, confirmada pela assessoria do presidente nesta segunda-feira, não prevê o encontro com o primeiro-ministro palestino, Ahmed Korei, que foi cogitado nos últimos dias.

O presidente, no entanto, deve se reunir com o ministro de Relações Exteriores da Autoridade Palestina, Nabil Shaath.

Pirâmides

Ao longo desta segunda-feira, o presidente tem uma reunião privada com Mubarak. Depois, Lula visita as pirâmides de Gizé e se encontra com outras autoridades egípcias.

O presidente também vai se reunir com representantes da comunidade brasileira do Cairo. O último compromisso de Lula nesta segunda-feira deverá ser a cerimônia de encerramento do evento empresarial Brasil-Egito, no Cairo.

A programação de Lula também será intensa na terça-feira, quando o presidente se encontra com o primeiro-ministro egípcio, Atef Ebi, e com o secretário-geral da Liga dos Países Árabes, Amr Moussa. Na tarde da terça, Lula parte para a Líbia, na última etapa da sua viagem.

Com pouco mais de 70 milhões de habitantes, o Egito é um dos maiores países árabes do mundo e é central na estratégia do governo brasileiro de se aproximar das nações do Oriente Médio.

Ainda por seu tamanho, o Egito sozinho pode importar um volume considerável de produtos brasileiros.

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