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Tribunal condena 'mídia do ódio' por crimes em Ruanda
O Tribunal Criminal Internacional das Nações Unidas para Ruanda, que funciona na Tanzânia, condenou dois homens a prisão perpétua e um terceiro a 35 anos de prisão por promover nos meios de comunicação de Ruanda uma campanha de ódio que levou ao genocídio de 1994 no país. Cerca de 800 mil pessoas da etnia tutsi e moderados da etnia hutu foram mortos em apenas cem dias. Ferdinand Nahimana, condenado a prisão perpétua, e Jean-Bosco Barayagwiza, que teve pena menor, ajudaram a fundar a Radio Television Libre des Mille Collines. A emissora de rádio incentivou os integrantes da etnia hutu a matarem os da minoria tutsi, dizendo que eles deveriam "exterminar as baratas". Foram feitas ainda transmissões de listas de pessoas que deveriam ser mortas e onde elas poderiam ser encontradas. Mensagens extremistas Hassan Ngeze, condenado a prisão perpétua, era editor de uma revista com mensagens extremistas chamada Kangura que, segundo a promotoria, desumanizou os tutsis. Os juízes do tribunal na cidade de Arusha, na Tanzânia, rejeitaram a tese da defesa de que a questão em julgamento era a liberdade de expressão. De acordo com o correspondente da BBC na África Oriental, Christian Frazer, alguns observadores acreditam que o julgamento criou um precedente ao definir os limites em que a propaganda passa a ser um incitamento à violência. Frazer afirma que ficou evidenciado que o poder do rádio em um país pobre com baixos índices de alfabetização não pode ser subestimado. O correspondente da BBC diz que, durante o genocídio, era comum ver tutsis sendo parados em barricadas e mortos por hutus que freqüentemente estavam com o rádio ligado. |
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