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Atualizado às: 25 de novembro, 2003 - 19h46 GMT (17h46 Brasília)
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Frei Betto busca doações ao Fome Zero na Europa

favela brasileira
Estrangeiros querem ajudar na luta contra fome no Brasil

Frei Betto, assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está viajando pela Europa para apresentar o projeto Fome Zero.

Ele passou três dias na região norte da Itália, a convite de organizações não-governamentais, fez uma sucessão de palestras e reuniões, todas com lotação esgotada. Não saiu da Itália com as mãos vazias.

"Saber que o italiano sai de casa neste frio para ouvir um desconhecido dá bem a medida do interesse dele em lutar contra a fome", disse Frei Betto à BBC Brasil, pouco antes de uma palestra aos moradores de Nembro, cidade da província de Bergamo.

Ele também esteve em Montemarciano, Ancona, Modena e Quarrata, em Pistóia. Nos próximos três anos, Pistóia vai contribuir com 16 mil euros ao ano para formar carpinteiros.

Quarratas vai ensinar aos brasileiros de Lins, em São Paulo, a cultivar mudas de plantas. No fim do mês, um concerto beneficente em Milão vai angariar fundos para o projeto.

Rede

"O que eles mais querem saber é como uma multinacional pode ajudar no programa. Eu respondo que faço parte da coordenação, e a empresa não sendo de produção de bebida alcoólica ou de fumo, certamente será avaliada por nós e receberá um certificado de parceria. No Brasil é absolutamente legal doar alimentos", responde Frei Betto às perguntas dos italianos.

Recursos para a construção de cisternas no Nordeste e programas de microcréditos para as famílias do Fome Zero também estão sendo levantados por uma legião de anônimos italianos, como o ex-carteiro Antonio Vermigli, de Quarrasta, um dos fundadores da Associazione Italiana Sostenitori Fame Zero, responsável pela viagem de Frei Betto.

A rede italiana de solidariedade já conta com parceiros grandes como a ONG Slow Food e a Emergency, do médico milanês Gino Strada.

A ONG é especializada em construir e manter hospitais em zonas de conflito, como Iraque e Afeganistão, e Strada decidiu que vai entrar na guerra contra a fome.

Ele disse que a ONG vai investir US$ 2 milhões na construção de novos postos clínicos e um hospital, que vão ajudar os moradores de Picos e de outros 53 municípios vizinhos, no interior do Piauí, a terem uma saúde de primeiro mundo.

"A Itália tem uma dívida social com o Brasil. Nós acolhemos de braços abertos os imigrantes desempregados, no início do século passado, e demos a eles as melhores terras", conta Frei Betto.

Doações de estrangeiros

Da Itália, ele foi para a Espanha, onde fica até quinta-feira, em missão semelhante em Madri, Barcelona e Oviedo.

Os prêmios internacionais ao projeto já são três e servem como uma espécie de selo de qualidade. Eles dão prestígio aos doadores e conforto aos beneficiados, mas o projeto também sofre críticas dentro do próprio governo.

"Não acredito neste projeto sem a reforma agrária, por isso nós vamos fazê-la com um plano ousado e delicado", disse Frei Betto.

As visitas de autoridades brasileiras a diversos países em 10 meses de existência já levou o Fome Zero a arrecadar fundos nos quatro cantos do planeta.

Segundo os dados oficiais do projeto, a Alemanha já contribuiu com cerca de R$ 30 milhões, seguida da Itália com R$ 13 milhões, Noruega com R$ 100 mil e Austrália com R$ 4 mil.

França, Japão, Irã e Israel fizeram promessas de apoio a projetos institucionais e transferência de tecnologia.

Nos Estados Unidos, foi criado um site para receber doações.

"Esses recursos são importantes, mas ainda poucos diante do desafio que temos pela frente e não chegam a 10% dos valores destinados pelo governo, anualmente", disse Frei Betto.

Modelo exportação

"Quando penso que Bill Gates doa a cada ano para a luta contra a Aids US$ 100 milhões, penso que é como se nós, bem nutridos, disséssemos que se os pobres morressem de fome isso não tem a menor importância, eu é que não posso morrer de Aids", acrescentou, admitindo o “cinismo do raciocínio”.

O Fome Zero está sendo acompanhado de perto, com muito interesse pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla em inglês).

Países como o México, a África do Sul e o Paraguai querem adaptar às suas realidades os conceitos básicos do programa Fome Zero.

Ainda neste mês, a Argentina vai promover em Buenos Aires um encontro entre os técnicos argentinos e brasileiros. No cardápio do encontro: a fome

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