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Brasileiros no exterior doaram US$ 125 mil ao Fome Zero
A arrecadação para o Fome Zero ainda não decolou fora do Brasil. De abril a novembro, as doações feitas nas contas abertas pelo programa nos Estados Unidos, na Europa e no Japão totalizaram RS$ 364 mil (cerca de US$ 125 mil). A quantia é modesta se comparada aos mais de RS$ 7 bilhões (US$ 2,4 bilhões)remetidos ao país anualmente pelos 2 milhões de brasileiros no exterior. “É realmente bastante pouco”, disse Zilda Arns, coordenadora nacional da Pastoral da Criança e uma das principais referências no Brasil em assistência social e combate à miséria. Ao ser informado sobre o total doado no exterior, o coordenador-geral da ONG Ação da Cidadania, Maurício Andrade, qualificou a quantia como “ridícula”. Ele contou que apenas um dos parceiros da campanha Natal sem Fome deste ano, o Banco Itaú, doou US$ 200 mil. A quantia é quase o dobro do valor arrecado até agora pelo Fome Zero no exterior. “O volume de recursos é pequeno se pensarmos no desafio que temos pela frente de lidar com 50 milhões de brasileiros que passam fome e estão na linha de miséria, ganhando menos de RS$ 79 por mês”, disse Andrade. Portugal e EUA Os 80 mil brasileiros de Portugal contribuíram com cerca de RS$ 2.800. Nos Estados Unidos, a maior comunidade brasileira no exterior contribuiu com apenas R$ 1.675, ou pouco mais de 500 dólares. “Acho que o que foi feito até agora para sensibilizar os brasileiros (no exterior) foi pouco”, observou o coordenador do núcleo do Partido dos Trabalhadores em Portugal, Manuel Pereira de Andrade. Os militantes do PT na Europa tentam reverter o quadro e promover mais doações. Em Portugal, o núcleo do PT faz festas e lançou até uma linha de vinhos do Porto que serão vendidos para ajuda a erradicar a fome no Brasil. Assim mesmo, enfrentam obstáculos na tentativa de aumentar o volume dessas doações. “Devemos entender esse baixo depósito como resultado dessa adversidade enfrentada pelo brasileiro em Portugal. Mas acho que eles poderão ser melhor sensibilizados, falta isso ao programa (Fome Zero).” O secretário-executivo do Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome, Flávio Borges Botelho Filho, defende a atuação do governo Lula. “É importante pensarmos da seguinte maneira: quantas cisternas poderiam ser construídas com esse dinheiro? Teríamos mais de 400 cisternas construídas com um doação desse tipo”, destacou Botelho Filho, o homem número 2 do Fome Zero. Ele disse que o programa não está preocupado em angariar doações. “Não estamos pedindo às pessoas para darem dinheiro. Pedimos a elas que se comprometam com o projeto de superação da miséria e da pobreza durante os próximos quatro anos.” Apesar do valor modesto arrecadado, o coordenador da Ação da Cidadania observa que esta é a primeira vez que o governo brasileiro consegue mobilizar de alguma forma brasileiros fora do país para uma ação social. “Isso demonstra a credibilidade do governo com os brasileiros de fora”, disse Maurício Andrade. “Foram raras as vezes que um governo conseguiu levar essa credibilidade para fora e mobilizar essas pessoas a fazerem doações.” Andrade acrescentou: “Nesse sentido, é importantíssimo o processo. E aí o valor arrecadado passa a ser simbólico, não se entra no mérito de ele ser pouco.” Japão O melhor exemplo de solidariedade ficou por conta dos brasileiros que trabalham no Japão. As sete agências do Banco do Brasil em solo japonês arrecadaram quase a totalidade das doações, ou RS$ 349 mil dos RS$ 364 mil reais levantados no mundo.
"(Os valores arrecadados) surpreenderam até a mim, que não esperava uma resposta tão grande da nossa comunidade”, disse Roberto de Camillo, gerente regional do banco para a Ásia. Cláudio Gombata é gerente comercial de um grupo que possui lojas de roupas importadas do Brasil, produtos eletrônicos e uma churrascaria. Ele e seus colegas buscaram formas criativas de ajudar a campanha e criaram a rifa do Fome Zero no Japão. Alemanha E nem só brasileiros doaram para o Fome Zero. Alguns estrangeiros identificados com o país também se solidarizaram, como o bibliotecário de Berlim Klaus Ciesielski.
“Quero fazer algo especial pelo país que eu amo”, disse o alemão, que além de ter doado 500 euros ao Fome Zero, envia 30 euros por mês para cada uma das seis crianças baianas que “adotou” no Brasil – três meninas em Vitória da Conquista e três garotos de Ilhéus. “Eu organizo viagens e, quando alguém me pergunta sobre o Brasil, falo sobre o país e também passo a eles o número da conta do Banco do Brasil em Frankfurt para que façam doações ao Fome Zero.” O governo Lula não planeja fazer novas campanhas para estimular os brasileiros do exterior a ajudar no combate a fome. Com a tímida arrecadação nas contas externas do Banco do Brasil, os responsáveis pelo Fome Zero concentram seus esforços em convencer os governos de outros países a colaborar com grandes quantias para o programa. |
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