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Presidente da Geórgia renuncia após pressão da oposição
O presidente da Geórgia, Eduard Shevardnadze, renunciou ao cargo em meio a protestos por causa de suspeitas de fraude nas eleições parlamentares realizadas no início deste mês. Ele anunciou a renúncia depois que o líder da oposição, Mikhail Saakashvili, deu um ultimato para encerrar as negociações mediadas pelo ministro do Exterior da Rússia, Igor Ivanov. Nino Burdzhanadze, outra líder da oposição, assumiu a presidência até que novas eleições sejam convocadas, dentro de 45 dias. O secretário de Estado americano, Colin Powell, entrou em contato pelo telefone com Burdzhanadze, oferecendo o apoio do governo dos Estados Unidos. Comemoração A notícia da renúncia foi recebida com fogos de artifício e as pessoas continuaram celebrando nas ruas da capital, Tbilisi, até as primeiras horas da segunda-feira. Segundo correspondentes da BBC no país um dos fatos que levaram à renúncia do presidente foi a falta de apoio do Exército. Anunciando sua renúncia em rede nacional de televisão, Shevardnadze disse que ''tinha aspirações diferentes'' no começo do dia. ''Agora eu vejo que tudo o que está acontecendo não pode continuar sem derramamento de sangue. Se amanhã eu for obrigado a usar os direitos em mim investidos, nas atuais circunstâncias, vai ocorrer o derramamento de sangue.'' ''Eu nunca traí meu povo e, agora, estou declarando que provavelmente é melhor renunciar, então tudo isso poderá acabar de forma pacífica, sem derramamento de sangue ou feridos'', disse Shevardnadze. Quando perguntado quem o sucederia, Shevardnadze respondeu: ''não é mais da minha conta''. ''O presidente teve um ato de coragem. Com sua renúncia ele evitou o derramamento de sangue no país. A história irá julgá-lo com gentileza'', disse Mikhail Saakashvili. Crise No sábado, Shevardnadze declarou estado de emergência e ameaçou usar o Exército para impor a medida, mas o ministro da Defesa, David Tevzadze, dissse que não seria necessário usar a força para restabelecer a ordem. Milhares de manifestantes mantiveram uma vigília por toda a noite, pedindo a renúncia do presidente por causa de suspeitas de fraude nas eleições parlamentares realizadas no início deste mês. A tomada do Parlamento da Geórgia ocorreu depois de uma grande manifestação pelas ruas de Tbilisi.
Os manifestantes entraram no prédio quando o presidente discursava na abertura da primeira sessão dos escolhidos nas eleições legislativas, consideradas fraudulentas por observadores internacionais. Shevardnadze foi retirado do prédio por seus guarda-costas. Imagens de TV mostraram cenas que lembravam os movimentos que derrubaram governos comunistas no leste europeu há mais de dez anos. Saakashvili e outros líderes da oposição declararam ter realizado uma outra "revolução de veludo". |
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