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Atualizado às: 15 de novembro, 2003 - 03h30 GMT (01h30 Brasília)
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Geórgia tem maiores protestos em 10 anos
O presidente da Geórgia, Eduard Shevarnadze
Shevarnadze diz que não pretende deixar o cargo antes de 2005

Milhares de pessoas foram às ruas na Geórgia nesta sexta-feira para pedir a renúncia do presidente da ex-república soviética, Eduard Shevardnadze.

A manifestação – uma marcha até o gabinete de Shevardnadze – foi pacífica, com a formação de uma corrente humana em volta do prédio onde o presidente despacha. Em seguida, a multidão se deslocou para o Parlamento.

Os protestos contra o presidente se tornaram freqüentes desde a divulgação dos resultados das eleições parlamentares, há duas semanas.

Mas se acredita que os desta sexta-feira tenham envolvido de 15 mil a 20 mil pessoas, tendo sido, portanto, os maiores já realizados não só na atual onda de manifestações, como dos últimos dez anos na Geórgia.

A oposição e observadores internacionais afirmam que a eleição – que deu vitória ao governo – foi fraudada.

O governo de Shevardnadze também é acusado de corrupção e má gestão econômica – salários não estariam sendo pagos, falta energia elétrica e o desemprego está em alta.

Analistas dizem que mais do que a disputa política, são essas queixas que estão levando as pessoas às ruas. São esperadas mais manifestações para este sábado.

Greve nacional

O presidente chamou os seus adversários ao diálogo, alegando haver risco de guerra civil, mas as negociações fracasssarm na quarta-feira depois de serem abandonadas pelo principal líder da oposição, Mikhail Saakashvili.

"É preciso haver muitos mais protestos e Shevardnadze vai renunciar", afirmou Saakashvili, segundo a agência de notícias Reuters.

O líder da oposição pediu à população que pare de pagar impostos e participe de uma greve nacional até o presidente ceder.

Saakashvili disse à BBC que está organizando uma petição pedindo a renúncia de Shevardnadze. Segundo ele, o presidente prometeu considerar a renúncia se fossem reunidas um milhão de assinaturas pedindo o seu afastamento.

No entanto, Shevardnadze reiterou nesta sexta-feira que não pretende deixar o cargo antes das próximas eleições presidenciais, em 2005.

Aos 75 anos, o ex-ministro do Exterior da antiga União Soviética que se tornou célebre pelo papel que teve na distensão da Guerra Fria está tentando recorrer a Moscou para resolver a crise política.

Apesar de um histórico recente de relações difíceis com o Kremlin, o presidente tem mantido contatos com o governo russo, tendo telefonado ao presidente Vladimir Putin ainda nesta sexta-feira para informá-lo da situação.

A crise na Geórgia é vista com preocupação em Moscou e nas capitais da Europa Ocidental. O temor é que a instabilidade se espalhe pelo resto do Cáucaso, região tradicionalmente volátil e onde empresas ocidentais têm investimentos no setor de petróleo.

Putin diz não ter intenção de se envolver militarmente na Geórgia, mas os contatos de Shevardnadze com ele são vistos com desconfiança pela população da ex-república soviética.

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