BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 12 de novembro, 2003 - 19h31 GMT (17h31 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Rússia pode ser arrastada para conflito na Geórgia

O presidente da Geórgia, Eduard Shevarnadze
O presidente da Geórgia, Eduard Shevarnadze

Enquanto milhares de pessoas protestavam na Geórgia exigindo a renúncia do presidente Eduard Shevardnadze, as posições da Rússia surgiram como mais um fator nessa tensa equação.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, telefonou para Tbilisi, a capital georgiana, no domingo. "Como de costume, você encontrará uma solução e irá restaurar a estabilidade do país", disse Putin a Shevarnadze

Putin prometeu ainda que o Kremlin daria toda a ajuda necessária para solucionar a crise gerada pela eleição parlamentar no país.

Mas o telefonema e a promessa de Putin não soaram como boas notícias para muitas pessoas na Geórgia. O Kremlin, que não está disposto a abrir mão de seu poderio no Cáucaso, sempre jogou duro com a Geórgia.

De volta ao passado

Um sistema de vistos imposto por Moscou, o apóio da Rússia às forças separatistas da Abkházia e sua recusa em retirar suas tropas da Geórgia têm sido vistos pelos críticos como pedras no caminho do desenvolvimento da Geórgia.

Foi também Moscou que instaurou a violência pela última vez na Geórgia, quando a população local protestava pacificamente em frente ao Parlamento exigindo a separação da União Soviética.

Shevarnadze foi recebido com ira pelas multidões em seu país
Shevnadze foi recebido com ira pelas multidões em seu país

Desde que a Geórgia saiu da União Soviética e até recentemente, o principal objetivo da gestão pró-ocidental de Shevarnadze era o de distanciar o país da influência russa, considerada por muitos desestabilizadora e impopular.

Mas enquanto a popularidade doméstica de Shevarnadze cai e a da oposição cresce, alguns suspeitam que Shevarnadze tentará arrastar a Rússia para uma crise que ele não consegue resolver sozinho.

Essa suspeita aumentou na última segunda-feira, quando Shevarnadze se dirigiu a Batumi, a capital da república autônoma de Ajaria, local governado por aquele que tem sido, ao menos formalmente, o maior opositor de Shevarnadze.

Pró-Moscou

Ajaria, ou Aslândia, como é chamada a república por alguns, é governada por Aslan Abashidze, que segue políticas abertamente pró-Moscou.

Desde que assumiu o controle de Ajaria em 1991, Abashidze tem conseguido fazer com que a região mantenha uma autonomia considerável através do que analistas chamam de um regime bastante autocrático.

Abashidze nunca vence uma eleição com menos de 90% dos votos – o que lhe dá controle virtual de 10% dos votos totais da Geórgia.

Desta vez, cifras oficiais mostram que o partido de Abashidze conquistou 95% dos votos na Ajaria e, nacionalmente, quase alcançou a coalizão comandada por Shevarnadze.

Observadores internacionais foram críticos em relação à votação na Ajaria, durante a qual diversos fiscais eleitorais foram expulsos de postos de votação.

Na última segunda, ao se dirigir a manifestantes em Batumi, tanto Shevarnadze como Abashidze disseram estar determinados a defender os resultados do que Shevarnadze saudou como sendo a eleição mais democrática e transparente da história da Geórgia.

Aslan Abashidze chegou até a dizer que estaria disposto a fornecer ajuda militar para garantir o resultado da votação.

A Ajaria não possui um Exército próprio, mas sedia uma das últimas bases militares russas no Cáucaso.

Moscou não fez quaisquer pronunciamentos oficiais, mas uma das bases militares russas na Geórgia foi colocada em alerta máximo.

'Busca desesperada'

"A viagem de Shevardnadze à Ajaria, aliada à sua conversa com Putin, é um claro sinal de que o presidente da Geórgia está desesperadamente atrás de apoio. Para Abashidze, apoio significa apoio do Kremlin", disse Giga Bokeria, da ONG Instituto da Liberdade.

Na opinião de Bokeria, ao fazer o jogo russo abertamente, Shevarnadze está tentando advertir seus desobediente cidadãos e, ao mesmo tempo, enviar uma mensagem aos Estados Unidos e tentar diminuir a pressão sobre o resultado da eleição.

De toda forma, o líder da Geórgia não pode mais se dar ao luxo de escolher parceiros e amigos e parece não ser mais capaz de contar com aqueles que poderiam lhe dar o mais forte apoio – seus eleitores.

Muitas vezes durante as crises políticas da Geórgia, Shevarnadze caminhou bravamente em meio a multidões iradas, falou abertamente com adversários e conquistou os corações e as mentes de pessoas que estavam contra ele.

Mas desta vez parece que seus métodos não o ajudaram.

LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade