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Análise: o futuro incerto de Sri Lanka
A medida da presidente Kumaratunga de tomar controle das forças de segurança na Sri Lanka pegou a maioria das pessoas completamente de surpresa. Muitos derem um grito sufocado de horror quando escutaram a notícia – seguido pela preocupação do que esse passo sem precedentes significará para o processo de paz. O temor mais imediato é o de que isso resulte em algum tipo de confrontação militar com o grupo rebelde Tigres Tâmeis. Eles disseram que ainda estão comprometidos com o processo de paz e o cessar-fogo no país. Mas deve haver dúvidas entre eles, já que agora há um novo ministro da Defesa – a própria presidente. Altamente crítico Há suspeitas de que um navio em alto-mar esteja fornecendo armas para os rebeldes, algo que já ocorreu no passado. Da última vez que isso aconteceu, a presidente criticou os monitores do cessar-fogo por terem avisado ao grupo que um de seus barcos estava sendo observado. O mar parece ser a parte mais vulnerável da trégua e os rebeldes dizem que informaram o governo do primeiro-ministro Ranil Wickramasinghe que, caso eles afundassem um dos barcos, eles iriam reconsiderar seriamente sua adesão ao cessar-fogo. Mas existe uma outra linha de pensamento que diz que, pelo fato de a presidente Kumaratunga estar responsável pela defesa, o principal partido de oposição – liderado por ela – ficará ainda mais engajado no processo de paz. O argumento é que isso seria uma coisa boa porque faria com que ela tivesse ainda mais cuidado em evitar um confronto militar. Também há uma situação ímpar em que aqueles que apóiam o primeiro-ministro Wickramasinghe são deixados na incerteza das medidas a serem tomadas na sua ausência. Ele divulgou uma declaração cujo tom parecia ser “esperem até eu voltar e permaneçam calmos”. Para aqueles que estão na mídia estatal e que agora têm que decidir se se submetem à nova direção, as palavras do primeiro-ministro foram pouco animadoras. Ele deixou as pessoas sozinhas para decidirem o que fazer e muitos devem agora aguardar para ver qual partido ganhará poder antes de escolher algum lado. De prontidão Não está claro que opções constitucionais o primeiro-ministro tem a sua disposição. Advogados afirmam que, em um governo de cohabitação, os ministros foram apontados pelo presidente com a consulta do primeiro-ministro e, dessa forma, deveriam ser destituídos igualmente. Alguns diplomatas dizem que também pode ser uma vantagem para Wickramasinghe o fato de estar nos Estados Unidos no momento da crise. Ele está de prontidão para ganhar apoio internacional por seus esforços no processo de paz. É necessário lembrar que a Embaixada dos Estados Unidos em Colombo respondeu positivamente aos Tigres Tâmeis em recente proposta de divisão de poder. No entanto, há receio de que a decisão da presidente de suspender o parlamento por duas semanas possa desencadear protestos políticos nas ruas. Alguns críticos dizem que o Partido da União Nacional de Wickramasinghe pode estar contando com esse descontentamento pelo qual a presidente seria considerada culpada – mas isso pode funcionar para os dois lados. Há especulações de que a crise poderá levar a uma nova eleição parlamentar, que seria a terceira em quatro anos. Também há incertezas sobre a reação da opinião pública à medida da presidente, que diz ter tomado tal decisão por razões de segurança. O governo estava planejando um orçamento populista e a bolsa de valores tinha registrado novas altas, embora a população ainda não tenha sentido no bolso os dividendos do processo de paz. Eleições seriam uma projeção incerta e uma opção que Sri Lanka não pode bancar com tanta frequência. |
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