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Presidente do Sri Lanka fecha Parlamento e demite ministros
A presidente do Sri Lanka, Chandrika Kumaratunga, suspendeu os trabalhos do Parlamento e destituiu três ministros, precipitando uma crise no país. Tropas do Exército foram colocadas para vigiar os principais prédios da capital do Sri Lanka, incluindo o edifício da rede de TV estatal. As demissões foram feitas quando o primeiro-ministro, Ranil Wickramasinghe, rival político de Kumaratunga, estava em Washington para discutir o processo de paz do país com o presidente americano, George W. Bush. Há alguns dias, os rebeldes Tigres Tâmeis, que vivem no norte do Sri Lanka, apresentaram uma proposta de paz em que o poder central seria dividido. O Partido da Liberdade, da atual presidente, disse estar preocupado com a proposta dos Tigres, que querem um governo autônomo na região nordeste do país. Como o partido do primeiro-ministro derrotou o partido da presidente e conseguiu maioria no Parlamento nas últimas eleições, em 2001, o primeiro-ministro comanda o governo, enquanto Kumaratunga detém poderes executivos. Daya Master, porta-voz dos Tigres, disse que não fará comentários sobre as demissões e a suspensão do Parlamento até que tenha mais detalhes. Ainda não há reações do primeiro-ministro. Relacionamento problemático O porta-voz do Exército, coronel Sumedha Perera, disse que “vários pelotões” das tropas já se dirigiram aos edifícios de jornal, rádio e TV estatais, e para as distribuidoras de energia, “para evitar distúrbios”. Mais cedo, nesta terça-feira, foram destituídos os ministros de Defesa, Tilak Marapuna, de Informação, Imthiaz Bakeer Markar, e do Interior, John Amaratunga. O gabinete da Presidência soltou um comunicado dizendo que as demissões servem para prevenir possíveis problemas de segurança no país. Kumaratunga tem um relacionamento problemático com o governo do primeiro-ministro Ranil Wickramasinghe. O enviado da BBC a Colombo, Frances Harrison, diz que as demissões parecem ter acabado com qualquer esperança de convivência entre os dois partidos no governo. O correspondente afirma que Kumaratunga estava insatisfeita com a forma com que o processo de paz era conduzido pelos ministros. Os três ministros ainda mantêm outros postos de gabinete. O governo americano havia dito, na segunda-feira, que acreditava ser possível um acordo entre o governo do Sri Lanka e os rebeldes. Os rebeldes assinaram um acordo de cessar-fogo com o governo em fevereiro de 2002, que terminou com décadas de lutas que já mataram mais de 60 mil pessoas. Na última proposta, os Tigres retiraram a exigência de independência e pediram autonomia regional. Políticos de oposição afirmam que a proposta seria contrária à consituição do Sri Lanka e que o governo interino poderia ser um preparativo para uma ruptura no futuro. |
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