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Atualizado às: 04 de novembro, 2003 - 00h31 GMT (22h31 Brasília)
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Saída de agências humanitárias agrava crise no Iraque

Veículo militar americano em Bagdá
Muitas agências deixaram o país depois de vários atentados

Tylid Machmood tem cinco anos de idade e há dois dias se encontra em coma no hospital pediátrico de Al Alweya, em Bagdá.

Sentada ao seu lado, está a sua mãe, que refresca a face do menino, sempre sob o olhar fixo da equipe médica de serviço. Mas o hospital não tem recursos para o tratar adequadamente.

"Precisamos urgentemente de glicose, temos que esperar três ou quatro horas porque não temos o instrumento necessário para fazer a mistura perto da cama dele", disse o pediatra Amir Adel.

De acordo com esse médico, as hipóteses de Tylid se recuperar são quase mínimas. Ele afirma que a média de atendimento diário no hospital ronda os cem clientes e que a falta de recursos é gritante.

"A retirada das agências humanitárias internacionais vai afetar o nosso trabalho, particularmente as crianças."

"Temos ainda alguma da ajuda que nos foi entregue desde o fim da guerra e estávamos começando a ver os benefícios dessas ajudas. Mas o corte dos programas de auxílio vai certamente afetar a nossa missão", completa Adel.

Hospital

O hospital Al Alweya depende majoritariamente da ajuda de organizações de auxílio internacional como a Caritas.

É uma unidade hospitalar pública fortemente guardada. Do lado de fora, o edifício mostra sinais de abandono.

No interior, o impacto de décadas de governo do antigo regime de Saddam Hussein e das sanções internacionais da ONU são visíveis.

Tão visíveis quanto os rifles AK-47 que perambulam pelos corredores do hospital e junto às camas da sala de urgência.

Para aqueles que dependem da ajuda humanitária externa, o momento não poderia ser pior.

As preocupações de Amir Adel encontram ecos por todo o país diante do agravamento da situação de violência e da insegurança que se vive no Iraque desde a invasão militar liderada pelos Estados Unidos.

Caritas

A retirada das organizações humanitárias ou a suspensão das suas operações no país transferiu para os iraquianos a difícil tarefa de manter a ajuda aos mais necessitados.

O diretor da Caritas no Iraque, Faiq Bourachi, diz que os cortes na ajuda humanitária internacional já começaram a ser sentidos.

"O impacto nas necessidades básicas é enorme. Existem grandes necessidades aqui no Iraque, particularmente no setor de saúde."

"Não se pode sobreviver sem medicamentos, e essa é, neste momento, a nossa grande preocupação", afirmou Bourachi.

Apesar da insegurança permanente em que trabalham, tal qual muitos funcionários de organizações internacionais, Bourachi não tem condições de contratar guardas para proteger os funcionários da Caritas.

"Se os extremistas resolverem atacar a nossa organização, certamente o farão independentemente de eu colocar guardas na frente do prédio ou não. Então, é melhor deixar como estar, e vamos orando a Deus para que nos proteja."

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