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Sombra do Vietnã paira sobre o Iraque
Estes são dias difíceis para o presidente americano, George W. Bush, e estão surgindo comparações entre o Iraque e o Vietnã. Os acontecimentos é que vão determinar se isso é justo. Mas, mesmo o setorista de política mais antigo da capital americana, David Broder, do jornal Washington Post, também começa a fazer referências ao país do Sudeste Asiático, embora apenas citando outras pessoas. Broder citou uma recente palestra sobre o presidente Lyndon Johnson, cuja carreira política foi destruída pelo Vietnã. O palestrante, Robert Caro, biógrafo de Johnson, disse que o Iraque "lembra de forma sinistra" os primeiros dias do Vietnã, acrescentando que não está claro se a situação de "esfacelamento" no Iraque seria tão intensa quanto a ocorrida no então Vietnã do Sul. E esse é um ponto importante. Como generais, os analistas costumam lutar as últimas guerras. No Vietnã do Sul, os Estados Unidos enfrentavam não apenas uma insurreição local, do Vietcong. O país enfrentava o Exército regular do Vietnã do Norte. Sustentava ainda um sistema corrupto. "Provável vitória" No Iraque, não há força externa, além, talvez, de alguns "combatentes estrangeiros", que autoridades dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha tendem a culpar por alguns de seus problemas. Em teoria, derrotar a resistência do Iraque não estaria além da capacidade das tropas britânicas e americanas, desde que contem com a ajuda das forças de segurança iraquianas. "Pelos padrões de guerra contra a insurgência, a maioria dos fatores, embora nem todos, parecem estar trabalhando a nosso favor", disse Michael O'Hanlon, um analista militar da Brooking Institution, em Washington, disse a um comitê do Congresso americano no dia 29 de outubro. "Não se pode presumir uma vitória rápida e fácil, mas muito provavelmente nós vamos vencer", disse O'Hanlon. Com a recente morte de mais soldados americanos no Iraque, pesquisas de opinião relativas à política americana para o Iraque indicam que a popularidade de Bush caiu para menos de 50% pela primeira vez. Uma pesquisa feita por ABC-The Washington Postno dia 1 de novembro, antes do ataque a um helicóptero americano que deixou 15 mortos, deu a Bush um índice de aprovação de 47% e de desaprovação de 51%. O índice geral de aprovação de Bush, como presidente, manteve-se em 56%. O de desaprovação está em 42%. Há, portanto, um problema específico para Bush em relação ao Iraque e, até que o número de baixas americanas no país diminua, esse problema vai continuar e pode piorar. Democratas No momento, contudo, Bush não dá sinais de enfraquecimento. "Nossa vontade e determinação são inabaláveis", disse o porta-voz da Casa Branca, Trent Duffy. Quando porta-vozes falam em "vontade inabalável", sabe-se que as coisas não vão bem. Mas a oposição democrata não parece estar capitalizando muito os problemas presidenciais. O único democrata a votar contra a resolução do Congresso aprovando a guerra –o deputado de Ohio, Dennis Kucinich – pediu a retirada do Iraque. "Essa missão desastrosa precisa acabar antes que mais vidas sejam perdidas... é hora de trazer nossas tropas para casa", disse Kucinich. Outros potenciais candidatos à Presidência estão criticando a administração de Bush sem ousar pedir a retirada do Iraque. O ex-comandante da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Wesley Clark, disse que os americanos foram envolvidos erroneamente no conflito sem uma estratégia real para o sucesso da missão. E o representante do Missouri, Dick Gephardt, pediu ajuda externa. "Nós não podemos resolver esse problema sozinhos", disse ele. Gephardt acrescentou que os Estados Unidos deveriam conversar com líderes estrangeiros, "tratá-los com respeito" e conseguir a ajuda que se espera de amigos. É mais fácil falar do que fazer, claro, dada a relutância dos outros de se envolverem no Iraque neste momento. Dois destacados senadores na área de relações exteriores, Jo Biden, democrata, e Richard Lugar, republicano, pediram o envio de mais soldados para o Iraque. Mais soldados, contudo, pode simplesmente significar mais alvos e o Exército americano e seus reservistas já estão escasseando. Bush vai relutar em enviar reforços, a menos que os comandantes militares peçam. Necessidade de êxito A debilidade de seus oponentes dá a Bush uma janela para trabalhar para mudar a situação no Iraque. Seu principal teste será no ano que vem, com a intensificação da campanha eleitoral. Bush precisa mostrar algum êxito. Ele tem que tomar decisões importantes sobre a devolução de poder aos iraquianos. Forças de segurança locais têm que ser fortalecidas. É preciso melhorar a coleta de informações. Tem que ser gerado um clima de credibilidade no processo político do país. Filipinas O Iraque não se mostrou ser como a Alemanha e o Japão depois da Segunda Guerra Mundial. Esses países foram destruídos, suas forças armadas renderam-se. A população alemã aceitou a ocupação e nenhum soldado americano morreu em ações hostis. Houve quem recuasse ainda mais na história para comparar o Iraque às Filipinas no começo do século 20, quando os Estados Unidos tomaram o território dos espanhóis, depois da guerra hispano-americana. Não é uma comparação animadora. Quando os americanos chegaram, eles foram saudados pelas pessoas que tinham lutado pela independência da Espanha. Mas a população local ficou, depois, temerosa de que o objetivo americano era ocupação e não democracia, e houve combates. Levou anos para que o país fosse pacificado e apenas depois de repressão brutal. Em um incidente, em 1906, 600 pessoas foram massacradas. O escritor Mark Twain descreveu a guerra como "uma confusão, um pântano de onde cada novo passo torna imensamente maior a dificuldade de retirada". No Iraque, a intenção é fazer as coisas de forma diferente. |
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