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Doações para o Iraque não devem atingir meta, diz UE
Começa a aumentar a preocupação de que a Conferência Internacional de Doadores para o Iraque, que está sendo realizada em Madri, na Espanha, não conseguirá arrecadar os US$ 36 bilhões esperados pelo governo americano para a reconstrução do país. "Ninguém acredita, nem por um momento, que nós veremos promessas de US$ 36 bilhões", afirmou o comissário para assuntos externos da União Européia, Chris Patten. Mais de 70 países e organizações multilaterais estão participando da conferência de dois dias em Madri, que tem o apoio dos Estados Unidos. As expectativas de que o evento conseguirá arrecadar o total necessário estão diminuindo, e muitos apontam para as dificuldades de se investir dinheiro em um país onde há tanta insegurança. "Pode levar algum tempo para que o objetivo seja alcançado", disse o secretário de Estado americano, Colin Powell, se referindo aos US$ 50 bilhões estabelecidos pelo Banco Mundial como necessários para a reconstrução do Iraque. O administrador americano no país, Paul Bremer, disse ao jornal francês Le Figaro que "colocar em prática um orçamento para os projetos de reconstrução levará tempo". 'Urgência' O representante do Conselho de Governo iraquiano, Mowaffaq al-Rubaie, disse em uma entrevista à imprensa que o Iraque precisa de uma "infusão imediata de dinheiro". "O povo iraquiano precisa de dinheiro, não de promessas", afirmou. Ele disse que a tarefa que está à frente dos iraquianos é imensa, apontando para o reaparecimento de doenças antes erradicadas, como a malária e a esquistossomose. Ele também disse que o desemprego está levando ao aumento do que chamou de "terrorismo". Países como a França, a Alemanha e a Rússia, que se opuseram à guerra no Iraque, já disseram que não irão dar verbas a mais do que as que eles já haviam prometido. Outros países – como a Bélgica, que afirmou que irá contribuir com até 5 milhões de euros (R$ 17 milhões) para projetos nas áreas de infra-estrutura e educação – estão dizendo claramente no que eles querem que o dinheiro seja usado. A maior parte do dinheiro que está sendo arrecadado em Madri irá para um fundo administrado pelo Banco Mundial, a ONU e um comitê de iraquianos. O novo fundo foi criado com o objetivo de incentivar países desconfiados do controle americano, mas algumas organizações já teriam questionado se, na verdade, o fundo terá poder para tomar decisões práticas. Bens no exterior O analista da BBC para assuntos internacionais Paul Reynolds diz que a dívida iraquiana é uma questão importante que não está na agenda formal do encontro, mas está certamente na cabeça dos participantes. Segundo os dados coletados pela organização Jubilee Iraq – formada por um grupo de exilados iraquianos e simpatizantes com base em Londres que pedem para que a dívida seja perdoada –, o governo de Saddam Hussein acumulou uma dívida que pode estar entre US$ 95 bilhões (R$ 275 bilhões) e US$ 150 bilhões (R$ 429 bilhões). Colin Powell disse à imprensa que irá pedir para que os bens do Iraque que estão nos bancos sírios sejam devolvidos ao povo iraquiano. Acredita-se que cerca de US$ 3 bilhões (R$ 8,5 bilhões) estejam em bancos sírios, mas Powell disse não ter ouvido falar de "um número tão alto". |
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