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Brasil quer investir em estradas e frangos no Iraque
O governo brasileiro já sabe onde investir na reconstrução do Iraque. No fórum empresarial paralelo à Conferência Internacional de Doadores, os representantes do Brasil descobriram que o negócio mais lucrativo é o frango. Os iraquianos não só são grandes importadores como também querem aprender com o Brasil sobre a tecnologia de produção. “Conversando com o ministro da agricultura deles sabe o que ele me disse? Que o povo iraquiano tem três referências básicas sobre o Brasil. Um carro, o passat, que lá é conhecido como Brasília; o futebol, porque são loucos por Pelé e Ronaldo; e o nosso frango!”, disse à BBC Brasil o Secretário Executivo do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Fortes de Almeida. Só nesta área as empresas brasileiras representadas na reunião de Madri pela ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes Industrializadas) tem um campo vasto para explorar. O governo iraquiano quer os produtos industrializados e, também, aprender sobre a tecnologia de criação e produção industrial e de controle de pragas e doenças animais. Segundo o Ministro de Planejamento do Iraque, Majid Hamid Al-Anbaki, o setor agrário está “completamente aberto para os investimentos”. Primeiro, porque há 7 milhões de pessoas vivendo em regiões rurais e trabalhando em condições precárias e, segundo, porque o país quer deixar de depender excessivamente do petróleo. Isso ajudaria as pequenas e médias empresas, favoreceria a criação de empregos e integraria o Iraque nos mercados internacionais. Infra-estrutura O outro setor que interessa ao Brasil é o de infra-estrutura. O governo quer participar da construção de estradas, portos, hospitais, saneamento básico e de reformas na área da saúde. E está disposto a investir diretamente através de acordos bilaterais e de participar de alianças multinacionais. Mas falta saber como esses contratos serão feitos. Essa é a maior dúvida dos 332 representantes de empresas de 47 países que participaram do fórum paralelo “Conferência sobre o papel do setor privado no desenvolvimento do novo Iraque”, promovido pelo Ministério de Economia da Espanha. Ainda não está claro quem e de que forma serão decididas as regras para os grandes investimentos de infra-estrutura. Essa área leva precisamente a maior parte de tudo o que a conferência principal de doadores arrecadar. Pelos cálculos do Banco Mundial, US$ 24 bilhões dos US$ 35 bilhões necessários para a reconstrução do país até 2007. A princípio, os Estados Unidos controlarão os contratos de infra-estrutura, e, para participar das grandes obras, será necessário entrar em um pool liderado por grupos americanos. A representação brasileira no setor da construção, presente no fórum de Madri, a Odebrecht S.A, chegou à reunião espanhola através da sua subsidiária nos Estados Unidos, a Odebrecht Construction. “Isso ainda não está decidido. Se os americanos vão controlar todos esses contratos ou se haverá acordos diretos. Não se falou dos meios de acesso. Mas nós estamos aqui para ver o que pode acontecer, viemos ver quais são as oportunidades apresentadas pelo novo governo. Saímos com boas perspectivas, conversamos com os ministros deles e já marcamos uma visita a Bagdá para o final de novembro”, disse Márcio Fortes de Almeida. Os representantes iraquianos não deram garantias aos empresários, mas fizeram promessas. Disseram que a questão da segurança é prioritária e que seus outros dois grandes compromissos são o equilíbrio orçamentário e a intenção de conseguir autonomia política e econômica. Balança comercial Na atual balança comercial entre Brasil e Iraque, os árabes tem lucrado mais. O último índice foi de US$ 234 milhões: US$ 212 milhões de importações e US$ 22 milhões de exportações brasileiras. Esse desequilíbrio é causado pela compra de petróleo. Mas o Governo Lula espera mudar essa situação com duas medidas: conseguir a auto-suficiência na produção petrolífera e abrir mercado com mais produtos. Até a guerra do Golfo, as exportações do Brasil para o Iraque estavam concentradas em motores de automóveis, tubos industriais e frangos. Na conferência principal de doadores para a reconstrução do Iraque, o governo brasileiro deixou claro que não doará dinheiro. Segundo o Conselheiro de Política e Economia da Embaixada do Brasil na Espanha, José Fiúza, que participou da reunião de hoje, o Brasil foi convidado para estar na assembléia internacional, mas preferiu estar apenas como observador. “Obviamente sabemos que o Brasil não tem condições financeiras para aportar dinheiro ao Iraque e também mantemos nossa postura anterior à guerra: que o fórum adequado para essas reuniões é as Nações Unidas. O Brasil está como outros países que não queriam a guerra como França e Alemanha. E damos nosso apoio ao povo iraquiano, para que retome a liderança e o controle do seu país”, disse Fiúza à BBC Brasil. |
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