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Atualizado às: 21 de outubro, 2003 - 21h51 GMT (19h51 Brasília)
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Para analistas, novo governo da Bolívia depende dos EUA

O novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa
Carlos Mesa deverá enfrentar pressões de movimentos sociais

A estabilidade do novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, no poder dependerá de como ele vai responder às pressões do governo americano, segundo o analista boliviano Ricardo Calla.

De acordo com Calla, o futuro de Mesa não estará sujeito apenas ao humor dos líderes dos movimentos de camponeses e indígenas, que lhe deram um prazo de 90 dias para cumprir uma série de reivindicações sociais.

"Se os Estados Unidos continuarem pressionando da mesma maneira que fizeram com o governo anterior, com uma política de erradicação da coca, de inflexibilidade e de dupla moral sobre o problema das drogas, Mesa terá sérios problemas", afirma o analista, que é reitor da Universidade La Cordillera.

"O principal fator de desestabilização de seu governo vai ser a pressão que os americanos farão para que a Bolívia siga com ajustes estruturais duros."

Dependência externa

O cientista político Jorge Lazarte, da Universidade Católica da Bolívia, também acredita que o apoio internacional será preponderante no êxito do governo de Mesa.

"Quase todas as demandas sociais dependem de recursos externos, nosso déficit fiscal é grande e não temos dinheiro para fazer investimentos", afirmou.

"O governo precisará decidir entre a necessidade de economizar dinheiro, para cobrir o déficit fiscal, e gastar mais, para cumprir as reivindicações populares."

Na opinião de Lazarte, o país necessita urgentemente da cooperação internacional para passar pelo teste dos primeiros 90 dias com sucesso.

Lazarte acredita que os 90 dias servirão apenas como prova, para que Mesa demonstre ao país se pode ou não governar.

Segundo o cientista político, a tarefa do novo presidente não será fácil e, talvez por isso, ele tenha anunciado que fará um governo provisório, sem qualquer interesse de permanecer no poder até 2007, como determina a Constituição.

"Ele tem condições de cumprir algumas das reivindicações dos indígenas e camponeses, que lideraram as manifestações populares do último mês”, afirmou Lazarte.

"Está nas mãos dele implementar a luta contra a corrupção, um processo de institucionalização do país, terminar com a distribuição de cargos nos altos níveis do Estado e ser transparente. Estes são alguns dos bons sinais que ele pode dar aos movimentos sociais, enquanto negocia com eles uma trégua maior para solucionar outros problemas mais graves."

"Pouco tempo"

O analista independente José Antonio Quiroga concorda que Mesa terá dificuldades para responder à maioria das demandas dos movimentos sociais em apenas três meses.

Mas, entre as reivindicações centrais, terá condições de convocar a assembléia constituinte e rever a lei do petróleo.

"Se os movimentos sociais acreditarem que, com estas duas reformas, há uma clara disposição de satisfazer a vontade do povo, os movimentos sociais vão conceder ao presidente maior prazo para governar com tranqüilidade”, observou Quiroga.

Carlos Torranzo, coordenador de projetos do Instituto Latino-americano de Investigações Sociais, assinala que os temas centrais da agenda do novo governo não podem ser cumpridos em apenas 90 dias.

Para Torranzo, o referendo sobre a exportação do gás natural boliviano, a modificação da lei do petróleo e a assembléia constituinte exigem um prazo maior.

"Os 90 dias poderiam servir para demandas menores", afirmou.

"O ideal seria dar alguns sinais na solução de temas menores, como a indenização às famílias dos mortos no conflito e a entrega dos mil tratores prometidos aos trabalhadores do campo. Paralelamente, o governo deveria governar com austeridade e transparência. Assim, é possível ganhar mais tempo e evitar a radicalização dos movimentos sociais."

Fome Zero e Sem-Terra

Ricardo Calla sugere que o governo também acelere a entrega de títulos de propriedade para os integrantes do movimento dos sem-terra, além de abrir alguns fundos de emergência para melhorar a qualidade de vida em termos de luta contra a fome no campo.

Ele diz ainda que Carlos Mesa deveria criar um miniplano contra a fome, a exemplo do que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva realiza no Brasil.

Lazarte diz que o novo governo também deverá sofrer pressões dos partidos políticos, porque optou por um ministério formado apenas por independentes.

Nas ruas de La Paz, a população está dividida sobre o que poderá ocorrer com o presidente Mesa depois da trégua de três meses dada pelos movimentos sociais.

"Espero que ele cumpra com a entrega dos tratores, a realização do referendo e a criação de uma universidade indígena. Vamos acompanhar todos os passos dele, porque Mesa não é o presidente ideal para nós", disse o comerciante de origem indígena Elódio Porras.

"Se, em 90 dias, não tivermos a certeza de que ele possa atender nossas reivindicações, ele corre o risco de ser derrubado como Gonzalo Sánchez de Lozada."

Na opinião da professora Raquel Uriqueta, o país precisa deixar Mesa governar com tranqüilidade.

"Não podemos ficar estipulando prazos e fazendo ameaças. Ele já falou que seu governo é temporário. Nós também precisamos ajudá-lo para que cumpra bem seu papel, convoque eleições e ajude a Bolívia a encontrar a paz definitiva”, acrescentou a professora.

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