BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 20 de outubro, 2003 - 00h40 GMT (21h40 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Deputado diz que governo da Bolívia 'nasceu morto'

Bolivianos lêem jornal
Bolivianos lêem jornal que anuncia novo governo como vitória

O deputado e ex-guerrilheiro indígena Felipe Quispe afirma que o governo do novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, já nasceu "morto" e está predestinado ao fracasso.

Segundo o representante do Movimento Indígena Pachakuti (MIP) e diretor executivo da Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Agrícolas da Bolívia, o novo presidente durará apenas três meses no poder.

“Carlos Mesa vai ter muitos problemas com a gente”, disse em entrevista à BBC Brasil.

“Ele é um governante fraco, que está tentando enganar a população, dizendo que é apolítico e independente. Mas, ele é político, sim. Se era vice-presidente, estava envolvido com todos os mandos e desmandos de Gonzalo Sánchez de Lozada. O povo não vai apoiá-lo, porque ele é apenas mais uma marionete nas mãos dos gringos”, acrescentou.

Gringo tirano

Na avaliação de Quispe, que comandou o início das recentes mobilizações populares na Bolívia, em 12 de setembro Mesa não conseguirá administrar o país, porque os partidos tradicionais têm maioria no Congresso. Além disso, sofrerá com a força da oposição dos movimentos populares.

“Não estamos contentes com ele. Apenas trocamos um gringo tirano por um mestiço. Por isso, a situação na Bolívia será a mesma e os interesses capitalistas serão mantidos”, afirmou.

Juntando os homens, as mulheres e as crianças, a Confederação Sindical Única dos Trabalhadores Agrícolas conta com seis milhões de indígenas filiados.

"Nós temos muita força, podemos definir os rumos deste país”, assinala ele, lembrando que a população boliviana é de 8,3 milhões de habitantes.

Felipe Quispe classifica o governo de Carlos Mesa como “um mandato do império”.

"Malku"

Quispe, conhecido como “Mallku” (chefe supremo no idioma indígena aimara) disse ainda que a mobilização permanece em todo o país e muitas estradas seguem bloqueadas. De acordo com ele, somente amanhã, os indígenas decidirão se acabam ou não a pressão contra o governo.

O líder indígena disse que, se for necessário, os camponeses estão preparados para derrocar o novo presidente, tomar o poder político e não o governo, em menos de 90 dias. Ele não descarta que o meio para alcançar este poder possa ser a luta armada.

De acordo com ele, a proposta do presidente de realizar um referendo para que a população decida se o país deve ou não exportar gás para os Estados Unidos é uma grande farsa.

“Acreditamos que o contrato de exportação para os americanos foi assinado por Sánchez de Lozada antes mesmo da sua renúncia”, afirmou. “Como Carlos Mesa é outro cavalinho dos gringos, acredito que ele já tenha recebido a ordem de enviar o gás para os Estados Unidos através de um porto chileno”.

Incerteza

Na mesma linha de Quispe, membros dos ex-partidos oficialistas Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) e do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR) acreditam que a convocação de uma assembléia constituinte, um referendo para decidir sobre o gás e o fato do presidente Mesa governar sem partidos políticos, abrem uma época de incerteza e instabilidade política no país.

“Acreditamos que, através destas propostas, estamos iniciando uma era de instabilidade”, assinalou Hugo Carvajal, deputado do MIR. “Elas são perigosas, porque devemos levar em consideração a pressão social que está no meio”.

Oscar Sandoval, deputado do MNR, critica a decisão do presidente de governar sem a participação de integrantes de partidos políticos.

“Os partidos são o único instrumento que podem garantir a governabilidade”, disse. “Excluí-los torna o executivo e a governabilidade frágeis”.

Segundo Sandoval, o referendo vai dividir as regiões que têm gás e são favoráveis à exportação do produto. De acordo com ele, a unidade do país está em risco.

Por outro lado, o partido de Evo Morales, líder dos produtores de coca, o Movimento ao Socialismo (MAS), acredita que as medidas anunciadas pelo presidente contemplam as reivindicações populares.

Antonio Peredo, chefe da bancada do MAS no Congresso, diz que seu partido não fará oposição, porque os anúncios do novo presidente representam a queda do neoliberalismo na Bolívia.

Conforme Peredo, a pesar de Carlos Mesa não ser o presidente ideal para seu partido, o MAS vai apoiá-lo, apostando na construção de um novo país com bases solidárias.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade