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Atualizado às: 20 de outubro, 2003 - 02h36 GMT (23h36 Brasília)
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Novo presidente da Bolívia nomeia ministério

Carlos Mesa
Carlos Mesa

O novo presidente da Bolívia, Carlos Mesa, nomeou no início da noite deste domingo um ministério classificado por ele como "independente". Alguns dos nomes são desconhecidos da maioria da população.

Entre os 15 integrantes, embora estejam empresários e políticos que já desempenharam cargos burocráticos, antigos membros do gabinete de Gonzalo Sánchez de Lozada em seu primeiro período na Presidência (1993-1997), há desconhecidos da grande maioria da população.

Dois dias depois de assumir o cargo, após a renúncia de Gonzalo Sánchez de Lozada, Mesa confirmou que teve dificuldades para formar um ministério 100% livre da influência dos partidos, como tinha anunciado anteriormente.

Por isso, a posse foi adiada duas vezes. A pasta de Mineração e Petróleo ainda está sem um nome definido e dois dos ministros nomeados ainda estão sem função definida: Roberto Barbery (Participação Popular) e Justo Seoane (Assuntos Indígenas).

Exportação de gás

“A pasta da Mineração e Petróleo é particularmente sensível. Estava trabalhando intensamente nas últimas horas para definir um nome. Mas, ainda não consegui encontrar a pessoa certa que represente o cenário em que a Bolívia tem de trabalhar”, disse o presidente.

“Vou pedir ao país um pouco de paciência, para que eu possa avaliar com mais calma. A pessoa eleita vai trabalhar com uma das tarefas mais difíceis deste momento”.

A exportação de gás natural para México e Estados Unidos, que será gerida pelo órgão foi um dos estopins da onda de protestos e violência que culminou na renúncia de Sánchez de Lozada.

Durante a solenidade de posse, o jovem diplomata Juan Ignacio Siles del Valle, ministro de Relações Exteriores e Culto, falou em nome de todo o gabinete. Em seu discurso, tentou acalmar a população sobre o referendo que decidirá se a Bolívia deve ou não exportar seu gás natural.

“O referendo deve decidir também o destino da distribuição dos benefícios que nos traria a exportação”, disse.

“Em todo o caso, como ministro da República, não posso deixar de assinalar que qualquer futura negociação do gás não deveria ser alheia a nossa justa e legítima reivindicação de um porto livre e soberano no Oceano Pacífico”.

O presidente criou dois novos ministérios, o de Assuntos Étnicos e Indígenas e o de Participação Popular. Para a Delegacia Presidencial de Luta Contra a Corrupção, nomeou Guadalupe Cajías de la Vega, a única mulher no gabinete.

Dois ex-colaboradores de Mesa foram convidados. José Galindo, que até ontem trabalhava como secretário geral da Vice-presidência, foi escolhido para a Previdência. Já Jorge Cortés será titular de Desenvolvimento Sustentável e Planificação.

Depois de ter anunciado o novo ministério, Mesa pediu a seus integrantes para que sejam cuidadosos em cada passo tomado, trabalhando com a maior transparência possível.

Segundo o presidente, o clima de instabilidade no país ainda não acabou e qualquer equívoco, qualquer falta de perspectiva, levará o país novamente ao abismo.

Com relação as afirmações do deputado indígena Felipe Quispe, que garantiu apenas três meses de vida para este governo, Mesa disse não estar preocupado com estas adivinhações.

“O honorável Quispe diz muitas coisas”, assinalou. “Mas, o mais importante neste momento é que temos de esperar que baixe a emocionalidade. Somente neste cenário, as declarações dele poderão ser valorizadas numa dimensão razoável”.

Conforme o presidente, a decisão de não convocar militantes de partidos políticos não pretende desconhecer a importância essencial deles num processo democrático. De acordo com Mesa, esta foi a única opção que lhe restou diante do desgate deles com o Estado e a sociedade.

“Quero que os partidos políticos aproveitem este tempo para reformular seus próprios destinos” assinalou. “Como meu governo é provisório, espero que eles estejam preparados para dar as melhores respostas ao povo boliviano, quando tenham de encarar um processo eleitoral. Espero que eles encontrem os instrumentos da democracia fortalecidos e com a credibilidade recuperada”.

Pouca estatura

O analista político boliviano Juan Ramón Quintana, disse ter ficado decepcionado com os nomes apresentados por Mesa.

“É um gabinete com pouca estatura diante do desafio de enfrentar a enorme crise que vivemos neste momento”, afirmou. “Os ministros são de La Paz ou de Santa Cruz de La Sierra. Não representam as outras regiões, os indígenas, os camponeses e as mulheres. Não há sinais contundentes de mudanças”.

Segundo Quintana, o presidente tinha divulgado com grande estardalhaço a presença indígena em seu ministério. No entanto, fez o mesmo que os presidentes anteriores. Escolheu apenas dois índios para participar do gabinete, quando 70% da população se define como indígena.

O presidente recebeu neste domingo o apoio de todos os presidentes da Améria Latina, dos Estados Unidos e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Mesa disse ter falado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva minutos antes da posse dos ministros. De acordo com ele, Lula o convidou para conhecer o Brasil e ofereceu todo o seu apoio.

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