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Atualizado às: 19 de outubro, 2003 - 16h44 GMT (13h44 Brasília)
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Paris realiza o primeiro salão gay da Europa

Logo da primeira feira gay da Europa, o salão Rainbow Attitude
Logo da primeira feira gay da Europa, o salão Rainbow Attitude

A primeira feira destinada ao público homossexual foi realizada no final de semana em Paris, no parque de exposições da "Porta de Versalhes".

É neste local onde são tradicionalmente realizados grandes salões na França, como o da agricultura e o do automóvel.

O evento Rainbow Attitude (em inglês, "atitude arco-íris", em referência ao símbolo do movimento homossexual internacional) foi o primeiro salão gay de toda a Europa. Mais de 200 expositores participaram da feira, que ocupou um pavilhão de 12 mil metros quadrados do parque de exposições.

Existem, segundo pesquisas, 4 milhões de homossexuais na França (cerca de 4% da população). Eles movimentariam um mercado estimado em mais de 2,3 bilhões de euros (cerca de R$ 6,6 bilhões).

Um salão para o público gay é tido pelas empresas participantes como uma boa oportunidade para fazer negócios e divulgar seus produtos a um segmento do setor da sociedade que costuma consumir mais do que a média. Como a grande maioria dos gays não tem filhos, eles gastam à vontade em roupas, objetos de decoração, restaurantes e viagens.

Produtos diversos

Em razão disso, vários expositores do salão gay apresentaram produtos destinados ao público em geral: carros, móveis, champanhe e foie gras e obras de arte, entre outros.

De acordo com estudos, a renda média líquida dos homossexuais na França, que exercem em muitos casos profissões liberais, artísticas e cargos de gerência ou direção em empresas, é de pelo menos 2 mil euros por mês (um salário líquido de R$ 6,6 mil).

A Ecovap, fabricante suíça do Vapoface, uma máquina a vapor para limpar os poros da pele, acredita que os gays sejam um importante nicho de mercado. Em apenas um dia de feira a empresa já havia vendido mais de 100 aparelhos, que custam 119 euros (cerca de R$ 392).

"Este é um produto para os homens e as mulheres. Estamos nesta feira porque o princípio da comercialização é mostrar o produto ao maior número possível de pessoas”, ressalta Paulo Simões, diretor da Ecovap, que se diz satisfeito com os resultados obtidos no salão gay.

Rams Halezi, da área comercial da Volvo, diz que o objetivo da montadora também é o de divulgar o produto a todos e por isso a marca decidiu participar dessa feira em Paris.

“Não fizemos estudos de mercado sobre o poder aquisitivo dos homossexuais nem sobre o perfil de nossa clientela, mas achamos importante estarmos presentes também em um salão gay”, afirma.

O italiano Francesco Italia, diretor da Gay.Tv, afirma que 42% dos clientes desse canal por assinatura que existe há dois anos não são homossexuais.

O canal tem uma programação variada de filmes, música e reportagens para o público em geral e outros programas destinados especialmente aos gays.

“Os gays se interessam por vários assuntos e são muito exigentes em termos de qualidade artística e informativa. É por isso que nossa programação atrai também os não homessexuais”, afirma Italia.

Arco-íris

O pavilhão onde se realizou a feira foi dividido em tonalidades diferentes, segundo a bandeira das cores do arco-íris.

Na zona amarela, dedicada à cultura, se reuniram galerias de arte e publicações.

A zona verde foi dedicada aos lazeres: agências de viagem com programas especiais para gays, agências de encontros, degustação de produtos gastronômicos e decoração.

A zona vermelha, dedicada ao sexo, é a única cujos produtos interessam exclusivamente ao público gay.

O arquiteto brasileiro Marcelo, que prefere não se identificar, acha interessante esse tipo de iniciativa, mas afirma não ter visto nenhum produto diferente dos apresentados em uma feira tradicional ou já vistos em bares e pontos-de-encontro homossexuais em Paris.

“Todos compram carros, mesas ou se interessam por bebidas ou artes plásticas. A crise econômica internacional está levando as empresas a realizarem eventos desse tipo para tentar melhorar as vendas”, diz ele, que acha o salão mais interessante pelo clima de festa que reina no local.

Já o publicitário brasileiro Roberto, que também prefere não se identificar, diz ter descoberto um produto diferente na feira: os cosméticos para homens.

Sexo

Apesar da diversidade dos produtos exibidos nessa feira, Roberto acredita que boa parte dos estandes apresentavam artigos ligados, de uma forma ou de outra, ao sexo, como agências de viagens que fazem circuitos gays ou empresas que organizam festas na capital francesa freqüentadas por esse público.

Várias associações gays também estiveram presentes e organizaram uma série de palestras sobre temas variados como Aids ou homossexualismo no trabalho.

A companhia aérea Air France, por exemplo, pagou o estande utilizado na feira pela associação de gays e lésbicas da empresa, que reúne cerca de 400 homossexuais.

Os organizadores estimavam, antes do fim do salão, que ele receberia 30 mil visitantes.

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