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Governo da Bolívia vê missão do Brasil com otimismo
Em meio à radicalização da oposição, que insiste na renúncia do presidente Gonzalo Sánchez de Lozada, o governo da Bolívia está otimista diante da possibilidade de que o Brasil e a Argentina possam ajudar a trazer a paz de volta ao país. O ministro das Relações Exteriores, Carlos Saavedra Bruno, afirmou que a missão conjunta dos dois países, que desembarca nesta sexta-feira em La Paz, pode acabar com as manifestações populares em curso. “Eles vão realizar uma análise da situação do país”, disse Saavedra ao se referir a chegada de Marco Aurélio Garcia, assessor para Assuntos Internacionais do governo brasileiro, e do representante argentino. “Apoiarão um governo legalmente constituído e contribuirão para o estabelecimento de um clima de diálogo para a pacificação do país”. Saavedra não informou a agenda e as ações que seriam realizadas pelos dois emissários. Mas ele espera contar com as participações dos líderes da oposição Evo Morales, que comanda 30 mil famílias produtoras de coca, e Felipe Quispe, deputado indígena, nas negociações. A presença dos dois oposicionistas, no entanto, ainda não é certa. Em inúmeras ocasiões, Morales afirmou ser contrário a qualquer tipo de intervenção internacional. Na avaliação do mais ferrenho opositor do governo, a única saída à crise boliviana é a renúncia do presidente Lozada. Segundo Morales, "a comunidade internacional não pode pedir ao povo que respeite a um criminoso como Sanchéz de Lozada, porque se converteriam em cúmplices de seus atos”. Greve de fome Apesar do otimismo do governo, o movimento pela saída de Lozada da Presidência está mais forte. Na quinta-feira, dois vice-ministros da Nova Força Republicana (NFR), partido aliado do governo, renunciaram aos seus cargos, insatisfeitos com o caminho violento adotado pelo presidente para conter as manifestações populares, que provocou mais de 70 mortes. O vice-ministro da Microempresa, Samuel Soria, além de ter se afastado do governo, anunciou que vai aderir a uma greve de fome desencadeada em todo o país pela renúncia de Lozada. “O presidente não tem mais credibilidade”, disse Soria. “O que ele tem que fazer neste momento é renunciar”. Já o vice-ministro de Pensões, Vicente Gómez García, demitiu-se e afastou-se do partido. No início da semana, quatro dos 15 integrantes do ministério de Lozada pediram demissão. Três saíram da NFR e Jorge Torres, que chefiava a pasta do Desenvolvimento Econômico, do Movimento da Esquerda Revolucionária (MIR, na sigla em espanhol). O vice-presidente, Carlos Mesa, manteve sua posição de se afastar definitivamente do governo, sem renunciar ao cargo. “Não estou de acordo com a filosofia de que a razão de Estado justifica a morte”, afirmou. “Não estou disposto a servir como instrumento em um processo crescente e perigoso de polarização da sociedade boliviana. Não sou, nem serei instrumento, nem bandeira de nenhum grupo, cujos interesses transcendam aos da Pátria”. Em La Paz e na cidade satélite El Alto, outros membros do MIR e da NFR aderiram à greve de fome. Todos dizem não compartilhar o que é classificado por eles como “derramento de sangue”. A greve também conta com a adesão de artistas, intelectuais, empresários e representantes da Igreja Católica. O presidente, por outro lado, afirmou que não renunciará. De acordo com ele, a democracia e a unidade do país serão mantidos. Sánchez de Lozada chamou de terroristas os líderes da oposição e os acusou de querer impor uma narcoditadura no país. Na noite da última quarta-feira, o presidente anunciou a realização de um referendo sobre a exportação de gás, origem dos protestos na Bolívia há mais de um mês. Ele também se comprometeu a revisar a lei de combustíveis junto com as companhias de petróleo e incorporar a figura da Assembléia Constituinte ao Regime Constitucional. A oposição considerou a proposta insuficiente e manteve a posição em favor da renúncia de Lozada e contra o projeto de exportar gás pelo Chile para Estados Unidos e México, em condições consideradas desvantajosas. |
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