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Atualizado às: 16 de outubro, 2003 - 09h14 GMT (06h14 Brasília)
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Presidente da Bolívia propõe 'plebiscito do gás'
Manifestantes protestam nas ruas de La Paz
Oposição recusou proposta de plebiscito

O presidente boliviano, Gonzalo Sánchez de Lozada, propôs a realização de um plebiscito sobre o plano de novas exportações de gás natural, que provocou uma violenta série de protestos pelo país.

Lozada disse que, se a violência continuar, "vai ficar claro que os manifestantes têm o objetivo de subverter a ordem constitucional".

No entanto, líderes da oposição já rejeitaram a proposta e voltaram a pedir a renúncia do presidente. Os manifestantes protestam contra a venda de gás aos Estados Unidos, intermediada pelo Chile, que tem uma rivalidade histórica com a Bolívia.

A crise no país continua tão séria que, na noite desta quarta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio de dois aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) para resgatar cerca de 50 brasileiros que estavam de passagem pela capital boliviana, La Paz, e não conseguiram deixar o país por causa dos protestos.

Confrontos

Dois mineiros foram mortos e vários ficaram feridos nesta quarta-feira em choques de manifestantes contra o governo e a polícia.

Soldados protegem o palácio presidencial em La Paz
Soldados protegem o palácio presidencial em La Paz

Cerca de 2 mil mineiros faziam uma passeata em La Paz, quando a violência aumentou em Patacamaya, a cerca de 100 km da capital.

Há informações não confirmadas de que mais de 60 pessoas teriam morrido desde o início da crise, há um mês.

La Paz está praticamente parada e já começa a faltar comida e combustível. Manifestantes estão montando barreiras nas principais estradas de acesso à cidade.

O porta-voz do governo Javier Torres Goitia disse à BBC que Lozada não vai renunciar porque a maioria da população em vários departamentos (regiões administrativas) quer que ele continue no poder.

Ainda segundo Goitia, vários manifestantes incendiaram lojas e atacaram a polícia a tiros e com morteiros.

Brasil

O governo brasileiro está disposto a enviar um negociador para a Bolívia, caso essa seja a vontade de Lozada.

“Se formos de utilidade, vamos lá sim”, disse à BBC Brasil o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pouco depois de desembarcar em Buenos Aires com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

População mostra cápsulas de balas que teriam sido atiradas pela polícia
População mostra cápsulas de balas que teriam sido atiradas pela polícia

O assessor diplomático do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, detalhou a disposição do governo.

“Sabemos que o Brasil é bem visto dos dois lados. Tanto pelo governo como entre os manifestantes. Então, se formos chamados, iremos com certeza”, afirmou Garcia. “Nosso objetivo é participar da paz na região”.

O ministro Amorim ressalvou, porém, que o Brasil entende que qualquer saída deve ser pela via “pacífica e democrática”.

Antes de deixar o Brasil, Lula disse que a crise na Bolívia continua a merecer a maior atenção dele e do governo brasileiro como um todo, segundo o seu porta-voz, André Singer.

"Nesse sentido, o Brasil está disposto a fazer tudo que for considerado útil para ajudar os bolivianos a encontrar uma solução pacífica e legal para superar o mais rápido possível o atual momento de dificuldades", disse o porta-voz.

A postura brasileira confirma a decisão do governo Lula de liderar o processo de integração da região.

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