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Atualizado às: 16 de outubro, 2003 - 01h59 GMT (22h59 Brasília)
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Brasil pode enviar negociador à Bolívia, diz Celso Amorim

Soldados protegem o palácio presidencial em La Paz
Soldados protegem o palácio presidencial em La Paz

O governo brasileiro está disposto a enviar, a qualquer momento, um negociador para a Bolívia, caso esta seja a vontade do presidente daquele país, Gonzalo Sánchez de Lozada.

“Se formos de utilidade, vamos lá sim”, disse à BBC Brasil o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, pouco depois de desembarcar em Buenos Aires com a comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O assessor diplomático do Palácio do Planalto, Marco Aurélio Garcia, detalhou a disposição do governo.

“Sabemos que o Brasil é bem visto dos dois lados. Tanto pelo governo como entre os manifestantes. Então, se formos chamados, iremos com certeza”, afirmou Garcia. “Nosso objetivo é participar da paz na região”.

O ministro Amorim ressalvou, porém, que o Brasil entende que qualquer saída deve ser pela via “pacífica e democrática”.

Crise profunda

Antes de deixar o Brasil, Lula disse que a crise na Bolívia continua a merecer a maior atenção dele e do governo brasileiro como um todo, segundo o seu porta-voz, André Singer.

"Nesse sentido, o Brasil está disposto a fazer tudo que for considerado útil para ajudar os bolivianos a encontrar uma solução pacífica e legal para superar o mais rápido possível o atual momento de dificuldades", disse o porta-voz.

A Bolívia está mergulhada na pior crise dos últimos tempos, e confrontos entre soldados e manifestantes já deixaram dezenas de mortos.

Os manifestantes protestam contra a venda de gás aos Estados Unidos, intermediada pelo Chile – um inimigo histórico da Bolívia.

A postura brasileira confirma a decisão do governo Lula de liderar o processo de integração da região.

Quando perguntado se o governo brasileiro poderia atuar com a Bolívia nos moldes do que pretende fazer com a Colômbia, oferecendo o território brasileiro para as negociações entre o governo de Álvaro Uribe e as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), Marco Aurélio foi categórico:

“Não pretendemos realizar nenhum tipo de intervenção na Colômbia. Nesse caso, o Brasil está agindo como um amigo que oferece a casa para uma festa, mas que não interfere nos detalhes. Quer dizer, é um campo neutro.”

O assessor presidencial, que acaba de chegar de uma viagem aos Estados Unidos, acredita que as relações entre o Brasil e a Argentina jamais estiveram estremecidas.

Ele também acredita que as negociações com os Estados Unidos estão nos trilhos, apesar das diferenças de enfoques.

“Muitas coisas queremos discutir pela OMC (Organização Mundial do Comércio), e eles diretamente pelo processo da Alca (Área de Livre Comércio das Américas) ou vice versa. Quer dizer, é conversando que a gente se entende”, afirmou.

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