|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Nobel da Paz defende fim de punições islâmicas no Irã
A vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, a iraniana Shirin Ebadi, fez um apelo pelo fim das punições islâmicas no seu país. Em uma entrevista ao jornal francês Le Monde, Shirin disse que apedrejamentos e amputações deveriam ser substituídos por penas mais modernas, "como nos países democraticos". O Comitê do Nobel afirmou ter escolhido a advogada iraniana justamente pela sua luta pelos direitos humanos no Irã, especialmente na defesa de mulheres e crianças. Ebadi também defendeu a separação entre Estado e religião no Irã, alegando que o país deveria deixar de ser uma república islâmica. "Minha posição não vai contra o Islã. Há grandes aiatolás que querem a separação entre Estado e religião", afirmou Ebadi ao Le Monde. Ebadi, que é muçulmana, sustenta que não há nenhuma contradição entre praticar a religião e defender a democracia. Parabéns de Bush Quanto ao governo reformista do país, Ebadi disse acreditar que o presidente Mohamed Khatami teria perdido "muitas ocasiões" de fazer mudanças no país. O presidente americano, George W. Bush, parabenizou Ebadi pelo prêmio, dizendo que apóia movimentos pela democratização do Irã. A decisão do Prêmio Nobel também foi elogiada por ativistas de direitos humanos, como a vencedora do Nobel da Paz de 1992, a guatemalteca Rigoberta Menchu. Menchu - que, assim como Ebadi, é uma das poucas mulheres entre a maioria masculina de vencedores do prêmio - disse à agência France Presse que considera a escolha de Ebadi um avanço na luta pelos direitos das mulheres no Oriente Médio. No Irã, no entanto, a escolha da advogada provocou reações diversas. Setores reformistas a interpretaram como uma conquista, mas os conservadores que dominam o país não gostaram nada de ver uma dissidente sendo homenageada com um dos mais prestigiados prêmios internacionais. A imprensa iraniana, dominada pelos conservadores, deu pouco destaque à notícia de que o Irã havia conquistado o seu primeiro Nobel. "É constrangedor para eles ver alguém que eles difamaram sendo apresentada como um bom exemplo", já havia dito a própria vencedora, ao saber da escolha da academia sueca. Ebadi foi escolhida entre 165 candidatos, entre eles o papa João Paulo 2º, considerado o favorito para o prêmio. A mais extensa lista de nomes já submetida à academia do Nobel também incluía o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o americano George W. Bush e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. A ativista iraniana vai receber 10 milhões de coroas suecas (o equivalente a R$ 3,7 milhões) em uma cerimônia no próximo dia 10 de dezembro, data de aniversário da morte de Alfred Nobel, o criador do prêmio. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||