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Atualizado às: 12 de outubro, 2003 - 00h42 GMT (21h42 Brasília)
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Nobel da Paz defende fim de punições islâmicas no Irã
Shirin Ebadi recebeu o prêmio pelo seu trabalho pelos direitos de mulheres e crianças no Irã
Shirin Ebadi: "você pode ser muçulmano e defender a democracia"

A vencedora do Prêmio Nobel da Paz deste ano, a iraniana Shirin Ebadi, fez um apelo pelo fim das punições islâmicas no seu país.

Em uma entrevista ao jornal francês Le Monde, Shirin disse que apedrejamentos e amputações deveriam ser substituídos por penas mais modernas, "como nos países democraticos".

O Comitê do Nobel afirmou ter escolhido a advogada iraniana justamente pela sua luta pelos direitos humanos no Irã, especialmente na defesa de mulheres e crianças.

Ebadi também defendeu a separação entre Estado e religião no Irã, alegando que o país deveria deixar de ser uma república islâmica.

"Minha posição não vai contra o Islã. Há grandes aiatolás que querem a separação entre Estado e religião", afirmou Ebadi ao Le Monde.

Ebadi, que é muçulmana, sustenta que não há nenhuma contradição entre praticar a religião e defender a democracia.

Parabéns de Bush

Quanto ao governo reformista do país, Ebadi disse acreditar que o presidente Mohamed Khatami teria perdido "muitas ocasiões" de fazer mudanças no país.

O presidente americano, George W. Bush, parabenizou Ebadi pelo prêmio, dizendo que apóia movimentos pela democratização do Irã.

A decisão do Prêmio Nobel também foi elogiada por ativistas de direitos humanos, como a vencedora do Nobel da Paz de 1992, a guatemalteca Rigoberta Menchu.

Menchu - que, assim como Ebadi, é uma das poucas mulheres entre a maioria masculina de vencedores do prêmio - disse à agência France Presse que considera a escolha de Ebadi um avanço na luta pelos direitos das mulheres no Oriente Médio.

No Irã, no entanto, a escolha da advogada provocou reações diversas. Setores reformistas a interpretaram como uma conquista, mas os conservadores que dominam o país não gostaram nada de ver uma dissidente sendo homenageada com um dos mais prestigiados prêmios internacionais.

A imprensa iraniana, dominada pelos conservadores, deu pouco destaque à notícia de que o Irã havia conquistado o seu primeiro Nobel.

"É constrangedor para eles ver alguém que eles difamaram sendo apresentada como um bom exemplo", já havia dito a própria vencedora, ao saber da escolha da academia sueca.

Ebadi foi escolhida entre 165 candidatos, entre eles o papa João Paulo 2º, considerado o favorito para o prêmio.

A mais extensa lista de nomes já submetida à academia do Nobel também incluía o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o americano George W. Bush e o primeiro-ministro britânico, Tony Blair.

A ativista iraniana vai receber 10 milhões de coroas suecas (o equivalente a R$ 3,7 milhões) em uma cerimônia no próximo dia 10 de dezembro, data de aniversário da morte de Alfred Nobel, o criador do prêmio.

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