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Um ano após atentado, balineses vivem estresse pós-traumático
O primeiro aniversário da data do atentado de Bali, neste domingo, será um evento nada balinês. O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, vai comandar uma cerimônia em memória às vítimas, enquanto a presidente da Indonésia, Megawati Sukarnoputri, não estará presente. O contraste entre a maneira como australianos e indonésios lidam com a data revelam as profundas diferenças de suas culturas. Eles podem ser vizinhos geograficamente mas, no que se refere à forma como lamentam a morte, estão a um mundo de distância. Um total de 202 pessoas de 20 países morreram no ataque a um clube noturno em Bali em 12 de outubro de 2002. Entre os mortos, havia 88 australianos. Tradição Em Bali, não há tradição de se homenagear os mortos. "O que os balineses fazem é apenas uma cerimônia de cremação", diz o governador de Bali, Dewi Beratha, "para libertar a alma do morto para que ele ou ela siga para sua vida após a morte". Essa cerimônia aconteceu em novembro. "Após a cerimônia, os balineses tentam esquecer a tristeza, mas erguendo-se para um futuro melhor", observa o governador. Mas, para muitos moradores da ilha, o sofrimento com relação ao trauma daquele ataque continua. Uma pesquisa feita em março com 2000 pessoas que moram a um quilômetro do local da explosão mostrou que 30% delas apresentam sinais de estresse pós-traumático.
E mesmo agora, um ano após a tragédia, mais e mais casos de pessoas sofrendo desse estresse são identificados. "Continuamos encontrando pessoas sofrendo de uma reação atrasada", disse o psiquiatra Denny Thong, que trabalha para o International Medical Corps (IMC), organização que ajuda os locais a tentar superar o acontecido. "As pessoas sabiam que havia algo de errado com elas, mas não podiam identificar o que era." Ibu Mayan Mupu começou a frequentar um médico nas últimas semanas. Ela vivia numa casa atrás do Paddy´s Bar, onde as bombas foram detonadas. "Eu seguia sendo assustada por coisas bobas, por barulhos repentinos", conta. "Minha vizinha sugeriu que eu viesse aqui (ao médico) com ela para entender o que se passava comigo." O IMC distribuiu em Bali uma série de panfletos com quadrinhos explicando os sintomas do estresse pós-traumáutico. Elisa de Jesus, coordenadora do IMC, explica que esses sintomas são pesadelos, lembranças do que ocorreu e depressão. Peças de teatro também são feitas para passar a mensagem aos afetados. Uma apresentação em Denpasar, capital de Bali, reuniu 700 espectadores. Após cada espetáculo, novos balineses aparecem para discutir os efeitos que o atentado trouxeram à sua vida. "A preocupação é que a pessoas que já ajudamos até agora sejam apenas a ponta do iceberg", diz De Jesus. |
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