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Atualizado às: 05 de outubro, 2003 - 13h58 GMT (10h58 Brasília)
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Israel ataca 'campo palestino' na Síria
Avião de combate israelense
Ataque foi realizado por caças de combate israelenses

Aviões de guerra israelenses atacaram neste domingo o que Israel diz ser “bases de treinamento de militantes palestinos” dentro do território da vizinha Síria, o primeiro ataque israelense ao país em mais de 20 anos.

A operação foi realizada em resposta ao ataque suicida do sábado em um restaurante de Haifa, no norte de Israel, no qual morreram 19 pessoas.

O governo da Síria disse que irá apresentar uma reclamação formal ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral da ONU.

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, condenou a operação como uma "agressão contra um país irmão".

O chanceler alemão, Gerhard Schroeder disse que a ação "não pode ser aceita", e o governo britânico fez um apelo para que todos os lados exerçam a moderação.

Mudança de política

De acordo com um comunicado militar, o alvo era o “campo de Ein Saheb”, que fica a cerca de 20 km de Damasco, a capital da Síria.

Israel alega que o campo era usado para treinar militantes dos grupos Jihad Islâmico e Hamas. A imprensa síria descreveu o local como um campo de refugiados palestinos.

Um porta-voz do Jihad Islâmico – que disse ter sido o responsável pelo ataque de sábado – negou ter "qualquer campo de treinamento ou base na Síria ou em qualquer outro país".

O comunicado do governo israelense acusa o governo sírio de apoiar o terrorismo e de dar "cobertura, em seu território e na sua capital, a organizações do terror que agem contra cidadãos israelenses".

O porta-voz do governo de Israel, Avi Pazner, enfatizou que a ação não era direcionada contra a Síria, mas, sim, contra o Jihad Islâmico.

Ele disse que qualquer país tem de entender que será responsabilizado por proteger terroristas.

A Síiria, que tem estado sob pressão dos Estados Unidos para tentar acabar com as atividades de grupos militantes, diz ter fechado escritórios do Hamas e do Jihad Islâmico.

O ataque surpreendeu analistas no Oriente Médio porque ocorreu dentro do território de um país que há cerca de 20 anos não estava diretamente envolvido em um conflito com Israel.

O único país da região que, em anos recentes, sofreu incursões de Israel foi o Líbano, sede do grupo militante Hezbollah.

Arafat

A ação faz parte de uma série de ataques realizados por tropas israelenses desde o atentado de sábado.

Mais cedo, a casa da palestina apontada com a autora do atentado em Haifa foi demolida.

Ataques com mísseis também foram realizados em diferentes pontos da Faixa de Gaza, onde fica sediado o grupo Jihad Islâmico.

Ariel Sharon agora enfrenta novas pressões para implementar a decisão tomada por seu gabinete, no início do mês, para "remover" Yasser Arafat.

Para tentar evitar que isso ocorra, ativistas israelenses e estrangeiros se deslocaram em direção ao complexo do líder palestino para servir como escudos humanos.

O governo de Israel não disse quando e como pretender remover Arafat, mas havia afirmado que qualquer ataque poderia resultar na morte dele.

O líder palestino, por sua vez, condenou o atentado de sábado e defendeu um novo cessar-fogo.

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