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Atualizado às: 05 de outubro, 2003 - 00h31 GMT (21h31 Brasília)
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Helicópteros israelenses atacam Faixa de Gaza
Cena do restaurante atacado em Haifa
O restaurante estava lotado na hora do ataque

Israel lançou ataques aéreos sobre a Faixa de Gaza na noite deste sábado, horas depois de um ataque suicida que matou 19 pessoas em um restaurante, na cidade israelense de Haifa.

Os ataques aéreos - em dois locais diferentes, em Gaza - aconteceram pouco depois de uma reunião de emergência do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e graduados oficiais militares.

Dois mísseis israelenses foram lançados contra uma casa na cidade de Gaza, enquanto outros três parecem ter sido destinados ao campo de refugiados El-Bureij.

O ataque suicida no restaurante foi perpetrado por uma mulher, e matou pelo menos quatro crianças, ferindo 50 pessoas.

Nota

O grupo militante palestino Jihad Islâmico assumiu a responsabilidade pelo atentado, que aconteceu na véspera do dia mais sagrado do calendário judeu, o Yom Kippur (Dia do Perdão).

O governo brasileiro emitiu uma nota condenando o ataque suicida, que classificou como "bárbaro".

A nota do Ministério das Relações Exteriores diz que a "repetida violência" contra civis é uma prática "inaceitável". Mas a nota também pede o fim de iniciativas adotadas por Israel, como a construção de um muro separando israelenses e palestinos.

"O governo brasileiro conclama, uma vez mais, as partes em conflito a cessarem os atos de contínua hostilidade e a evitarem iniciativas que não favorecem o clima de confiança, tais como a construção de um muro de segurança dentro dos territórios palestinos e o anúncio de novos assentamentos em territórios ocupados", diz a nota.

O governo brasileiro também "exorta as partes em conflito a retornarem à mesa de negociação".

Irmão

Sharon vem recebendo demandas para cumprir a ameaça do governo de "afastar" o líder palestino, Yasser Arafat.

Arafat, que permanece em sua casa em Ramallah, condenou o ataque suicida e defendeu um cessar-fogo mútuo.

Mas Israel culpa a Autoridade Palestina pelo fracasso em desarmar os grupos militantes.

Fontes palestinas disseram que a mulher-bomba era uma advogada, e seu irmão tinha sido morto a tiros por tropas israelenses na casa dele, em Jenin, em junho.

O restaurante onde aconteceu o ataque, fica à beira do mar, e estava lotado. Há décadas vem sendo administrado por uma família judia e outra árabe.

Toque de recolher

Há relatos de que o exército de Israel pretende impor um toque de recolher por tempo indeterminado na Cisjordânia, a partir do amanhecer.

A correspondente da BBC em Jerusalém, Orla Guerin, disse que o ataque em Haifa é um dos atentados mais sangrentos dos últimos três anos e põe o Oriente Médio em um momento crítico.

O ministro da Saúde de Israel, Dan Naveh, disse que o ataque representava "uma oportunidade para implementar a decisão do gabinete de se livrar de Arafat".

O gabinete fez essa ameaça no mês passado, depois que 15 pessoas foram mortas em dois ataques suicidas coordenados, um em Jerusalém e outro em Tel Aviv.

Sinal verde?

Israel não disse como e quando pode "afastar" Arafat de sua casa em Ramallah, mas reconhece que um assalto poderia resultar na morte dele.

No entanto, a correspondente da BBC diz que Israel precisaria do sinal verde dos Estados Unidos para tomar tal iniciativa, algo que Washington se negou a fazer no passado.

A correspondente da BBC em Ramallah, Barbara Plett, diz que a liderança palestina sabe que a existência de Arafat está por um fio.

Não há relatos de vítimas dos ataques de Israel na Faixa de gaza.

A casa, que seria o alvo de dois mísseis de Israel, é onde mora um militante do Hamas, segundo fontes palestinas. Mas ele não estava em casa no momento do ataque.

Condenação

No atentado ao restaurante, a mulher-bomba matou a tiros o guarda de segurança que estava na entrada, antes de correr para dentro.

"Houve uma grande explosão que estourou as janelas. Foi horrível", disse uma testemunha à TV israelense.

O primeiro-ministro palestino indicado, Ahmed Korei, condenou o que chamou de "ataque horroroso" e, segundo relatos, teria telefonado para o prefeito de Haifa, Yona Yahav, para manifestar sua tristeza.

Korei fez um apelo, em um comunicado, para que o "povo palestino e todas as suas facções nacionais e islâmicas pratiquem a moderação e coloquem um fim a essas ações que atingem civis e prejudicam a nossa luta nacional justa e legítima".

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, chamou o ataque de ato "desprezível", que reforça a necessidade de a liderança palestina combater o terrorismo.

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