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Atualizado às: 02 de outubro, 2003 - 18h17 GMT (15h17 Brasília)
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Antiamericanismo é motivado por apoio a Israel, diz analista

Cartaz antiamericano
Árabes de todo o mundo participam de protestos

O antiamericanismo poderá crescer no Mundo Árabe se não for resolvida a situação na Palestina.

O alerta é de Mohamed Sayyed Said, consultor do Centro Al Ahram para Estudos Politicos e Estratégicos, no Cairo.

O analista afirma que a principal causa para o crescente antiamericanismo entre os árabes é o "apoio incondicional" dos Estados Unidos às políticas israelenses.

Nas ruas do Mundo Árabe, embora em silêncio, este é um sentimento evidente.

Dois pesos e duas medidas

"Odeio a América. Ela é injusta. Tem uma medida para os amigos e outra para os outros", afirma sem hesitação Sherif Abdel Monem, egípcio de 43 anos e pai de duas filhas.

Por trás desse ódio está a frustração com a situação dos palestinos.

"Para a América, os palestinos que se defendem da ocupação são terroristas, mas os israelenses que tomaram as suas casas agem em autodefesa", acrescenta Sherif em tom de incompreensão.

A política de "dois pesos e duas medidas", como é chamada na região a atuação americana no conflito israelo-palestino, pesa mais nas angústias árabes do que a intervenção no Iraque.

"A questão palestina é muito mais emocional para o Mundo Árabe. E, com a instabilidade e os custos, a ocupação do Iraque deverá terminar, talvez em menos de um ano", argumenta Mohamed Sayyed.

Este não é um fenômeno exclusivo do Mundo Árabe. Segundo o estudo Changing Minds, Winning Peace (Mudando Mentalidades, Vencendo a Paz), encomendado pela administração americana, a imagem da América no Mundo Muçulmano em geral nunca esteve tao má. Na Indonésia, por exemplo, a quantidade de simpatizantes dos Estados Unidos caiu de 61% da população em 2002 para 15% em 2003.

Os alvos do ressentimento são sobretudo George W. Bush e seu governo. "Os americanos são como nós. Mas eu não gosto do governo. Quando os filhos deles morrem no Iraque, eu acho que eles tambem não concordam e sofrem", explica Danya, uma jovem palestina de 20 anos que estuda medicina no Egito.

Sem capacidade de intervenção política, Sherif descobriu os seus próprios meios de "boicotar a injustiça" americana. "Eu não compro produtos americanos e explico isso às minhas filhas", afirma.

Noran, de 7 anos, questionada pelo pai sobre o motivo, responde prontamente: "Quando nós compramos as batatas fritas e os produtos, eles tomam o nosso dinheiro e compram armas para matar os palestinos".

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