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Mercosul e andinos poderão ter acordo até fim do ano
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Álvaro Uribe, anunciaram na terça-feira, em Cartagena, a possibilidade de que os países que integram o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (CAN) assinem um acordo de livre comércio até o final do ano. De acordo com eles, que participaram da abertura oficial do encontro da Organização Internacional do Café (OIC), as conversações para a integração dos dois blocos estão bem adiantadas. Em outubro, ministros das Relações Exteriores da CAN (Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela) e do Mercosul participam de um encontro preparatório à reunião que os presidentes realizarão em dezembro, em Montevidéu. "Isso não tem absolutamente nada a ver com a discussão do acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Primeiro, temos de calçar nosso sapato e nossa meia para poder pisar em chão firme com a negociação que teremos daqui para a frente", assinalou o presidente Lula. "Para nós, é extremamente importante o começo da construção de um bloco forte na América do Sul. Acho que isso está mais ou menos se consolidando. Espero que em dezembro tenhamos a felicidade de fechar a negociação". Diferenças O presidente Uribe afirmou estar otimista com os avanços das negociações. Ele disse, no entanto, que antes de ser assinado qualquer acordo é preciso levar em consideração as diferenças existentes entre cada país. "É preciso ter em conta o princípio do tratamento diferencial a economias diferentes. Cada economia é diversa. O que está possibilitando que se avance neste acordo é a compreensão do Mercosul e da CAN de que não podemos aplicar para todo mundo a mesma fórmula. Precisamos respeitar as diferenças de nossas economias", afirmou. Lula informou que o Brasil está trabalhando junto com o governo da Colômbia e dos países andinos na perspectiva de fazer uma integração comercial, cultural e econômica de toda a América do Sul. De acordo com o presidente, Uribe conhece a torcida que ele faz para que a Colômbia possa integrar, num menor tempo possível, o Mercosul. O presidente também disse que, nesses acordos, deverá ser respeitada a realidade de cada um dos países envolvidos na negociação. "Os acordos poderão não ser os mesmos para cada país", afirmou Lula. "Mas, obviamente, a Colômbia é um parceiro muito importante para o Brasil do ponto de vista político, cultural e comercial", completou. Farc Sobre o assunto que mais gerou expectativa durante a visita do presidente brasileiro à Cartagena, não foi revelada nenhuma novidade. Lula e Uribe disseram que ainda não existe nada de concreto sobre a realização do encontro que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a Organização das Nações Unidas (ONU) pretendem realizar em território brasileiro. Eles desmentiram notícias publicadas na imprensa colombiana, afirmando que esta reunião se realizaria em Manaus, entre os dias 15 e 31 de outubro. Segundo Lula, ainda nem está certo que o encontro seja realizado no Brasil. "Eu espero que essa decisão fique por conta do secretário-geral da ONU e do governo da Colombia", afirmou o presidente brasileiro. "O que nós nos propusemos é ajudar. Se for necessário, o Brasil está disposto a dar sua colaboração", disse Lula. E afirmou estar aberto para discutir este assunto com o presidente colombiano, se assim ele desejar. "Por enquanto, estamos otimistas de que a ONU vai se dedicar um pouco mais para tentar, na mesa de negociação, encontrar uma solução tranqüila e pacífica para o caso da guerrilla na Colômbia", afirmou Lula. Há várias semanas, representantes da ONU e das FARC realizam contatos para estabelecer a base deste encontro proposto pela guerrilla colombiana e aceito pelo secretário-geral da organização, Kofi Annan. A reunião teria como objetivo analisar a situação do conflito interno colombiano e servir de base para uma eventual negociação de paz. O presidente Uribe, ao assinalar que o tema Farc é considerado espetacular pela imprensa, disse ter toda a certeza de que o Brasil poderá ajudar a Colômbia a encontrar uma solução para seu conflito interno. "A Colômbia tem plena confiança na República irmã, que é o Brasil", afirmou Uribe. "O Brasil quer colaborar em fechar a fronteira ao tráfico de armas, ao terrorismo e ao narcotráfico e abrir as portas para o entendimento, se essa for a intenção que tomem os terroristas". No início da tarde, os ministros da Defesa dos dois países acertaram os detalhes da compra de dois aviões da Embraer ERJ 145 para a aerolínea colombiana Satena, que já conta com uma aeronave desse tipo em sua frota. Segundo informou o governo colombiano, esses dois aviões, com capacidade para 50 passageiros e avaliados em US$ 17,5milhões cada um, permitirão que a Satena aumente o seu serviço nas regiões mais remotas do país. |
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