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Farc deverão dominar encontro entre Lula e Uribe
O possível encontro que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e a Organização das Nações Unidas (ONU) pretendem realizar em território brasileiro deve ser um dos principias temas da reunião entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Álvaro Uribe, nesta terça-feira, em Cartagena. Apesar do assunto não fazer parte da agenda dos dois presidentes, a grande expectativa na Colômbia é de que Lula confirme a disposição do Brasil de ceder seu território para que a guerrilha apresente aos representantes da ONU sua visão sobre o conflito que assola o país há quase quatro décadas. Os colombianos também querem saber até onde irá a intenção brasileira de colaborar na busca de uma solução pacífica para os problemas internos do país vizinho. Familiares de políticos e militares seqüestrados pelas Farc também querem que o Brasil ceda seu território para uma possível negociação de troca entre rebeldes presos e aqueles que se encontram no cativeiro da guerrilha. As famílias esperam ainda que o governo brasileiro encabece um movimento que defenda a liberação deles. No momento, encontram-se seqüestrados pelas Farc mais de 60 políticos, militares e policiais. Entre eles, está a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt, capturada pela guerrilha em fevereiro do ano passado. Segundo Carolina Barco, ministra de Relações Exteriores da Colômbia, a possibilidade de que o Brasil sirva de sede para o encontro entre as Farc e a ONU conta com o apoio do governo colombiano. "O Brasil sempre expressou seu interesse em apoiar o governo da Colômbia", disse. "O Brasil é um país amigo e estamos de acordo que se realize esse encontro". Café Lula chega à Cartagena na madrugada desta terça-feira, numa visita que deve durar apenas 12 horas, para participar da cerimônia de comemoração dos 40 anos da Organização Internacional do Café (OIC). "A presença do presidente Lula representa a recuperação da liderança política do Brasil na discussão internacional dos temas que envolvem o setor do café", assinala o gerente geral da Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia, Gabriel Silva Luján. "Além disso, devido a preocupações sociais e toda a sua angústia com a fome dos mais pobres representa um testemunho importante de que há uma preocupação mundial com a miséria que vivem aqueles que estão envolvidos com a produção do café", completa Luján. Conforme Gabriel Silva, os dois países devem assinar acordos de cooperação e analisar formas de ampliar o consumo do café. Ele explica que a Colômbia quer seguir o exemplo do Brasil que, em seis anos, duplicou o consumo do produto, passando de oito milhões para 15 milhões de sacos. O encontro da OIC, que termina na próxima sexta-feira, também contará com a participação do presidente de Honduras, Ricardo Maduro Joest, que estará representando os países da América Central. "A presença de Lula, Uribe e de Maduro nesse encontro é uma comprovação de que estamos decididos a fazer com que o café siga funcionando como parte essencial da economia dos países em desenvolvimento", afirma o diretor executivo da OIC, Néstor Osório. "Nesse momento, vivemos uma crise de consumo e de excesso de oferta. Acredito que vamos sair desse encontro com uma agenda que busque solucionar esses problemas e promover o consumo mundial da bebida". Conforme Osório, Colômbia, Brasil e Honduras representam 52% da produção mundial de café. Em 40 anos de existência da OIC, essa é a primeira vez que os presidentes desses três países participarão do encontro da organização. O diretor executivo da OIC aposta numa posição conjunta para que se tomem medidas de grande impacto para melhorar os preços internacionais do grão de café. Mercosul Lula e Uribe também devem discutir o futuro das negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a Comunidade Andina de Nações (Bolivia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), que deverá ser assinado até o final do ano. A intenção do governo brasileiro é assinar um acordo com a Colômbia semelhante ao que foi feito com o Peru no mês passado, que aceitou participar do Mercosul como membro associado. No entanto, a tarefa não será fácil. Até o momento, a ofensiva comercial colombiana está dirigida basicamente para a busca de uma acordo bilateral com os Estados Unidos, país para o qual a Colômbia exporta 50 vezes mais do que para o Brasil. "Pensar em um acordo de comércio exterior com o Brasil e a Argentina não está no mesmo patamar de uma eventual negociação com os Estados Unidos", afirma Rudolf Hommes, asessor do presidente Uribe. "No Mercosul, não existe um mercado de vários milhões de dólares para os produtos colombianos. Um acordo biliateral com o Brasil e a Argentina traria prejuízo aos setores mais dinâmicos da indústria manufatureira e a agropecuária", completa. Asuntos relativos à segurança na fronteira entre os dois países também devem ser analisados. A Colômbia tem interesse em conhecer informações obtidas através do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) para barrar ações de guerrilheiros, paramilitares e traficantes de drogas. |
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