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Israelenses e palestinos condenam ameaça contra Arafat
Analistas e representantes israelenses e palestinos condenaram as ameaças de Israel contra o presidente palestino, Yasser Arafat. A BBC Brasil ouviu várias personalidades para saber quais seriam as conseqüências de uma ação mais radical do governo israelense, como a expulsão de Arafat dos territórios palestinos, ou mesmo a sua morte, como chegou a ser cogitada pelo vice-primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, no último domingo. Para o vice-primeiro-ministro da Informação palestino, Ahmed Sobeh, qualquer medida contra o presidente palestino pode resultar em atos mais radicais. "Arafat é o presidente eleito dos palestinos e, se for atingido pessoalmente, não haverá palestinos a negociar com esse tipo de governo israelense." "Haverá uma página nova de guerras e tensão que ninguém vai saber controlar, e todas as conseqüências serão realmente de responsabilidade do governo israelense", disse Sobeh. Acordo O presidente da Federação Palestina no Brasil e da Confederação Palestina da América Latina e Caribe, Hassam El Emleh, concorda com Sobeh, argumentando que não dá para medir o que pode acontecer caso Israel leve a cabo qualquer medida contra Arafat. "Com essa posição da direita de Israel, eu não posso prever nada. Eles podem fazer uma loucura dessas. Uma loucura que pode trazer mal tanto para Israel como ao povo palestino, desestabilizando todo o Oriente Médio." "O governo (de Israel) quer se esconder atrás da propaganda do caminho de paz. Mas, se ele quer a solução do problema para o Oriente Médio, ele deve se sentar à mesa, com sinceridade, para tentar uma paz justa e duradoura com os árabes e palestinos." O sociólogo e pesquisador Michel Gherman, da Universidade de Jerusalém, acha que a direita israelense é capaz de qualquer ato mais radical, mas lembra que é preciso levar em conta "os dois lados da questão". Só assim o processo de paz poderá ser retomado. "Esse governo israelense nunca esteve comprometido com o processo de paz. Mas também, do outro lado, Yasser Arafat e a estrutura palestina de poder têm se mostrado bastante afastados das questões de paz do Oriente Médio. O que necessitamos agora para levar adiante o processo de paz é um novo entendimento, que leve em conta o lado palestino, mas também o israelense", disse o sociólogo. Intifada "No primeiro momento desse acordo de paz precisamos entender que o governo palestino decretou o fim do acordo de paz há dois anos, com a segunda Intifada. Além disso, esse governo israelense só chegou ao poder por conta da violência e do estouro da segunda Intifada. Se isso não tivesse havido, o acordo teria sido implementado hoje", disse Gherman. O vice-primeiro-ministro da Informação palestino diz que qualquer medida contra Yasser Arafat e a soberania do Estado Palestino precisa ser combatida, principalmente pelos Estados Unidos, apontado por ele como o grande suporte de Israel e responsável pelo plano de paz em discussão no momento. "Eu acredito que a comunidade internacional, tal como todo o povo palestino, deveria estar escandalizada, porque esse tipo de ação não parece sair de um governo democrático, de um país soberano, mas sim de um bando mafioso que está tentando matar e assassinar outra pessoa, sem levar em conta que ele é o presidente eleito de outro povo, com quem eles dizem querer fazer a paz", disse. "A responsabilidade desses atos irresponsáveis de Sharon (Ariel Sharon, primeiro-ministro de Israel) é dos Estados Unidos, os únicos que podem fazer com que Sharon mude de atitude." Calma O sociólogo Michel Gherman enfatiza que é necessário, para o andamento do processo de paz, que as pessoas moderadas mantenham a calma. O sociólogo diz ainda que, apesar da posição do primeiro-ministro Ariel Sharon, parte do governo e da população quer uma maior intervenção da ONU. "A sociedade israelense quer uma maior intervenção internacional no conflito, e isso pode ser facilmente conseguido a partir de negociações internas dentro do país. O que não se pode esquecer é que a situação aqui no Oriente Médio não é preto e branco. Arafat está envolvido em atentados terroristas, sim. Arafat planeja e sustenta grupos terroristas, sim, do mesmo jeito que Ariel Sharon é responsável por atentados terroristas dentro dos territórios pelestinos e em Israel." "A intervenção é possível, e a maior parte da população israelense é a favor disso", completou Gherman. |
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