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Atualizado às: 15 de setembro, 2003 - 17h12 GMT (14h12 Brasília)
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Entenda o fracasso da reunião da OMC em Cancún
Cancun protests
'A OMC mata fazendeiros' - diz pôster de manifestantes

Países desenvolvidos e em desenvolvimento estão reagindo de maneira diferente ao colapso das negociações no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), que terminou neste domingo no México.

Os países em desenvolvimento declararam o resultado da Quinta Conferência Ministerial da OMC uma vitória moral, já os desenvolvidos falam em "oportunidades perdidas".

Ao todo, 21 países em desenvolvimento haviam se unido para exigir a redução nos subsídios pagos a fazendeiros nos Estados Unidos e na Europa.

As negociações fracassaram quando a delegação africana rejeitou propostas européias para novas regras para investimentos internacionais.

A OMC tinha esperanças de que as negociações resultariam em um acordo global de comércio até o final de 2004, o que ajudaria a reviver a economia mundial.

Leia a seguir um texto de perguntas e respotas para saber o porquê da falta de acordo e como isso afetará a população do planeta.

Fracasso

Por que as negociações fracassaram?

As negociações fracassaram porque os países ricos e pobres não conseguiram chegar a um acordo em duas questões principais:

A primeira, e mais delicada, é a questão da agricultura.

Os países desenvolvidos foram acusados de hipocrisia, ao pedir aos países pobres que abrissem seus mercados, embora não estando dispostos a abrir os seus, ou a reduzir os altos subsídios pagos aos fazendeiros.

Os países ricos não concordaram em abolir os subsídios às exportações que tornam seus produtos agrícolas mais baratos nos mercados mundiais.

Também havia grande oposição às propostas da União Européia para a adoção de regras para investimentos por empresas multinacionais em países em desenvolvimento.

Muitas nações sentiram que não podiam concordar com isso sem perder o controle sobre suas indústrias, e disseram que a OMC não era o fórum ideal para esse tipo de discussão.

De quem é a culpa?

Os dois grupos culparam um ao outro pelo rompimento nas negociações.

O representante dos Estados Unidos em Cancún disse que os países pobres teriam de estar preparados para ceder um pouco mais para que possa haver qualquer progresso nas negociações comerciais futuras.

Mas países em desenvolvimento culparam a União Européia, por tentar introduzir metas ambiciosas demais em questões como investimento e competição.

Na realidade, foi a capacidade dos países em desenvolvimento de manter uma posição unificada face à pressão dos ricos, mesmo que entre eles houvesse diferenças de interesses, que acabou sendo decisiva.

Isso mostrou que as nações em desenvolvimento agora têm poder real na OMS.

O que acontece agora?

Essa foi apenas uma reunião interina da Rodada de Doha de liberalização do comércio.

Agora, as discussões retornam às salas de reunião em Genebra, de preferência longe das manchetes dos jornais, onde os negociadores vão tentar sugerir formas de se seguir em frente.

Mas há dúvidas reais sobre as chances de se cumprir o ambicioso prazo para a conclusão da Rodada de Doha, no final do ano que vem.

O fracasso em Cancún torna improvável que um acordo possa ser feito até 2005.

Outras rodadas de negociações, no entanto, sofreram atrasos, incluindo a anterior, a Rodada do Uruguai, que durou oito anos.

Resta saber se o choque do fracasso em Cancún fará com que as duas facções fiquem mais determinadas a fazer concessões na próxima reunião ministerial, marcada para Hong Kong, em 2004.

Quem será afetado pelo fracasso?

O comércio tem sido o motor do crescimento econômico nos últimos 50 anos.

Recentemente, entretanto, esse crescimento vem caindo.

Um novo acordo de comércio teria aumentado o crescimento econômico e a confiança.

Países em desenvolvimento, entretanto, serão os maiores perdedores se a liberalização fracassar.

O Banco Mundial calcula que 144 milhões de pessoas sairiam da pobreza se um acordo tivesse sido feito em Cancún.

Cidadãos de países ricos teriam se beneficiado de um acordo para a agricultura baseado em alimentos mais baratos.

Entretanto, os países em desenvolvimento ainda podem ser beneficiados em duas áreas.

Como parte de um acordo anterior, os países ricos concordaram em abrir totalmente os mercados de tecidos e roupas até o final de 2004.

E em agosto houve um acordo para tornar remédios baratos disponíveis para países pobres no futuro próximo.

A OMC concordou em finalizar um acordo para a importação de remédios genéricao que atendam a emergências médicas como por exemplo Aids nos próximos 6 meses.

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