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'Acordo em Cancún é vital para economia mundial'
O impasse que precedeu a realização da Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio, em Cancún, se aprofundou no último dia dos trabalhos neste domingo. A expectativa é que os delegados dos 146 países estendam a discussão noite adentro, tentando chegar a um pacote "minimalista", nas palavras de um dos negociadores envolvidos, e fechar um acordo que deixe os principais problemas para uma negociação posterior. Mas a hipótese de que os ministros dos países-membros da OMC não consigam aprovar um documento ainda não foi descartada. O ministro das Relações Exteriores do México, Luis Ernesto Derbez, que preside a conferência, encerrou os trabalhos na madrugada de domingo, por volta de 1h (3h em Brasília). Na ocasião, Derbez revelou sua preocupação com a possibilidade de que alguns dos ministros estivessem dispostos a deixar a reunião fracassar, ressaltando a importância do avanço e da conclusão da rodada para dar um impulso à economia mundial. Discórdia A principal mudança é o deslocamento do foco dos impasses. A questão da agricultura deixou de ser o pomo da discórdia entre países dos Primeiro e do Terceiro Mundos. E o beco sem saída migrou nas últimas 24 horas para a questão dos chamados novos temas, batizados de "temas de Cingapura". Um grupo reduzido de países, entre os quais Brasil, México, Quênia, Índia, Malásia e África do Sul, está discutindo desde sábado a questão dos quatro temas que estavam sendo debatidos à parte por grupos de trabalho, mas não faziam parte do mandato das negociações principais da atual Rodada Doha de Desenvolvimento, que vem sendo negociada desde que foi aberta, em novembro de 2001, na capital do Catar. A proposta européia de estender os acordos da OMC para quatro novas áreas: políticas de investimento, competição, transparência em compras do governo (e, por conseguinte, compras governamentais) e facilitação do comércio foi feita em 1996, na Conferência de Cingapura. Mas analistas ironizam que em Cingapura eles são chamados de temas de Bruxelas, dada a importância que a política de comércio comum da UE concede aos temas. Três deles foram incluídos no texto de Derbez, lançando na prática negociações sobre os temas e tornando-se a principal modificação apresentada pelo presidente da conferência em relação ao rascunho anterior. Se mantidos como estão, os novos acordos teriam que ser fechados dentro da atual rodada e passar a ser cumpridos por todos os membros, segundo as regras da OMC. Alguns países consideram que não é possível iniciar negociações sem consenso, já que tudo na OMC é feito a partir da concordância de todos os membros. Green Room Índia e Malásia, que são economias relativamente fechadas, se opõem fortemente a aderir a regras que vão obrigá-los a abrir seus mercados financeiros para investimentos estrangeiros. O grupo reunido no chamado green room (salão verde, que no jargão da OMC significa tentar chegar a uma solução entre poucos países, mais interessados no tema, que depois seria aprovada pelos outros), terminou a reunião da madrugada às 2h (4h em Brasília), reiniciou a discussão às 8h30 (10h30 em Brasília) e continua reunido. Técnicos dos países-membros especializados em agricultura estão esperando em uma ante-sala, no segundo andar do centro de convenções de Cancún, para saber se a reunião fracassou por causa do impasse nos temas de Cingapura, para saber se vão ou não iniciar sua própria reunião, para tentar chegar a um acordo sobre o impasse mais crucial para o G-21, integrado pelo Brasil. A delegação brasileira simpatiza com as preocupações dos países menos desenvolvidos e de países como a Índia, em relação aos temas de Cingapura, mas como tem uma economia relativamente aberta – e está negociando compras de governo no âmbito da Alca, não se opõe à introdução dos novos acordos. |
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