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Furacão ameaça reunião da OMC em Cancún
A Defesa Civil de Cancún, no México, está monitorando de perto o comportamento de uma tempestade tropical no meio do Oceano Atlântico. A tormenta pode chegar à cidade em forma de um furacão entre os dias 13 e 14 – no fim da reunião ministerial da OMC quando, segundo a previsão de vários dos próprios negociadores, a conferência deverá estar em seu momento mais tenso. No momento, o furacão Isabel parece estar mudando de direção e indo para o norte, "mas furacões são imprevisíveis", explica Rubén García, diretor da Defesa Civil da cidade. "Estou muito mais preocupado com o furacão Isabel do que com os manifestantes antiglobalização", afirma. O Isabel foi classificado com um furacão de categoria três em uma escala de um a cinco e pode provocar ventos de cerca de 200 quilômetros por hora. "Temos planos de emergência que incluem abrigos e, em casos extremos, evacuação, porque somos uma área afetada por furacões e estamos em plena temporada", explica García. A temporada dos furacões no Atlântico Norte vai de junho a novembro. Aviso Enquanto mostra no monitor em sua sala as imagens captadas por satélite do Isabel, García conta que, caso ele mude de direção e rume para Cancún, a ordem de evacuação será dada quatro horas antes da sua chegada. Apesar dos riscos de evacuação da cidade em plena conferência, os organizadores da reunião da OMC escolheram o local em que os delegados podem dormir tranqüilos no que se refere a indesejados confrontos com manifestantes antiglobalização. A ilha de Cancún só tem duas pontes de acesso: uma no caminho que leva ao aeroporto, e outra que liga o balneário de hotéis de luxo ao centro da cidade. Cancún é também uma cidade com infraestrutura para grandes eventos. Recentemente, ela sediou uma conferência internacional de alcoólicos anônimos com 45 mil participantes. Entre 20 mil e 25 mil manifestantes são esperados durante a conferência. O primeiro de dois grandes protestos está marcado para quarta-feira. Ansiedade A passeata está sendo convocada pela Via Campesina, uma organização internacional de camponeses, e vários grupos devem se reunir no centro, perto da ponte, às 13h (horário local). Há rumores de que alguns manifestantes vão tentar atravessar o cerco montado pela polícia e tentar chegar à ilha. Há também um clima de ansiedade com as perspectivas de confrontos entre manifestantes e polícia, em uma cidade que vive e depende do turismo, e ainda uma certa irritação entre a população com a mudança de ritmo provocada pelo fechamento de ruas e pela suspensão das aulas durante toda a semana. "Ninguém nos perguntou se queríamos a OMC aqui", reclama um morador. A polícia local vai estar enquartelada e não vai tratar da segurança da manifestação. Isso ficará a cargo da polícia federal e de equipes trazidas de outros Estados mexicanos. Os responsáveis pela segurança não estão divulgando o número de policiais mobilizados, mas na segunda-feira, as ruas de Cancún já tinham mais de 1,5 mil homens em patrulha. Luciana Orozco, que não pretende participar da passeata de quarta-feira, mora no centro da cidade e confirma que "as pessoas estão um pouco preocupadas com o que possa acontecer em termos de violência". Ela, no entanto, garante ser bem informada e estar razoavelmente tranqüila. "Sei que a conferência tem que acontecer, que é importante, e os protestos ajudam as pessoas a se informar sobre o que acontece lá dentro", explica Orozco. |
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