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Atualizado às: 12 de setembro, 2003 - 19h37 GMT (16h37 Brasília)
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História de brasileiros no Real é mistura de glória e decepção

Rodrigo Fabri, com a camisa do Atlético de Madri
Rodrigo Fabri disputa o Espanhol pelo outro clube de Madri

Não basta ser brasileiro, nem craque para jogar no Real Madrid. Nem sequer Didi, o criador do chute "folha seca", conseguiu firmar-se no clube mais premiado do mundo.

Essa frustração conhecem bem quatro dos seis jogadores brasileiros, com convocações para a Seleção no currículo, que chegaram a Madri nos últimos cinco anos com a expectativa de brilhar no time das estrelas. Da ilusão à "decepção" real.

Sávio, Flávio Conceição, Rodrigo Fabri e Júlio César não tiveram a sorte de Ronaldo e Roberto Carlos. Passaram mais tempo em outros times, com os passes emprestados, do que no Real Madrid. Jogaram pouco ou nada.

O caso mais grave é o do meia Rodrigo Fabri. Contratado por cinco temporadas, não jogou nenhuma no Real Madrid.

O jogador, que passou pela Seleção Brasileira, Portuguesa, Flamengo e Grêmio, a cada ano esteve em um clube diferente, com o passe emprestado. Desta vez, o último ano de contrato com o Real, foi para o Atlético de Madri.

Mentalidade

Experiência parecida é a do zagueiro Júlio César. Cinco anos de contrato e apenas um de oportunidades no time madrilenho. O brasileiro estreou como titular, teve uma contusão, voltou e, aos poucos, foi sendo afastado.

Júlio César foi tão afastado que passou pelo Valladolid, Milan, Austria Viena e, agora, voltou ao Valladolid para disputar o Campeonato Espanhol e terminar o seu ciclo no Real. Longe de Madri.

"O Real Madrid é um clube muito grande, exigente, complicado. Nós, brasileiros, viemos com uma mentalidade distinta, mas ainda assim acho que esse não é o maior motivo", diz o zagueiro.

"Eles aqui estão sempre procurando jogador, renovando o plantel, trazendo gente que está se destacando no mercado. Aqui, você tem que chegar e fazer logo um bom jogo, um bom campeonato."

Perda de prestígio

Outro barrado no time das estrelas foi o atacante Sávio. O jogador saiu do Flamengo, onde era considerado o substituto de Zico, e chegou a ter oportunidades no Real Madrid, mas nunca foi titular absoluto.

Sávio, na época em que defendia o Real Madrid
Apesar das chances, Sávio não se firmou como titular

Sávio começou com a camisa de número 20, ganhou a 11 na temporada seguinte, mas não conseguiu se firmar no clube.

O atacante perdeu tanto prestígio como reserva do Real Madrid que acabou esquecido nas convocações da Seleção.

No ano passado, Sávio foi cedido ao Boudeaux, que não comprou o passe do brasileiro ao final do Campeonato Francês.

Terminado o contrato com o Real Madrid, Sávio agora joga no Zaragoza.

Banco

O volante Flávio Conceição estreou no mês passado no Campeonato Alemão.

O passe do brasileiro foi emprestado ao Borussia Dortmund por um ano, com a opção de compra por 10 milhões de euros (mais de R$ 30 milhões) ao final da temporada.

Contratado por cinco anos pelo Real Madrid, Flávio deixou o Deportivo La Coruña, onde era titular absoluto e tinha vaga na Seleção Brasileira, em 2000.

Nas últimas três temporadas em Madri, o brasileiro chegou a jogar, esteve entre os reservas e na lista de descartados várias vezes – e, inclusive, foi vaiado em campo no estádio do Real.

O clube espanhol tentou negociar o passe de Flávio no ano passado, mas o jogador preferiu lutar por outra oportunidade no time.

Na atual pré-temporada, recebeu o aviso do diretor-geral de Esportes do clube, Jorge Valdano: "Se ficar, será para ficar no banco o ano inteiro".

Ídolo

Situação oposta é a do lateral-esquerdo Roberto Carlos. Oito anos no Real Madrid, consagrado na Espanha, o pentacampeão mundial é o estrangeiro mais adorado pela torcida, e o brasileiro que mais temporadas e títulos tem em toda a história do clube.

"Eu tive a sorte de conseguir me adaptar rápido. Não sei, talvez porque vim do interior, sofri no começo da carreira e assim você acaba aprendendo", diz o lateral.

Roberto Carlos
Roberto Carlos não tem do que reclamar em Madri

"O futebol europeu é muito tático. Você tem que se posicionar bem dentro de campo. Eu sou um desastre dentro de campo porque estou lá na frente, venho por aqui, vou pelo meio, pelo lado..."

"Tive a sorte de que todos os treinadores com quem trabalhei aqui fizeram esquemas para eu jogar. E, fora de campo, tive o carinho das pessoas e respeito. Isso fez com que eu me adaptasse o mais rápido possível", conta Roberto Carlos.

Como o brasileiro que deu certo no Real Madrid, o lateral da Seleção incentiva os jovens craques como Robinho e Diego a tentar a sorte no clube espanhol.

"O que a gente puder fazer para facilitar para os brasileiros aqui no Real Madrid, estamos à disposição. Eu só digo que o importante é vir para a Europa e tentar jogar bem. Manter uma boa regularidade do começo ao final do campeonato", aconselha.

Ego

Até os frustrados, como Júlio César, insistem que lutar pelo sucesso no Real Madrid é bom negócio, nem que seja pelo ego.

"O Real Madrid é o maior clube do mundo e todo jogador deseja vir para cá", diz o zagueiro.

"Estar aqui é muito importante para a tua carreira, para o teu orgulho próprio. Chegar e dizer: eu estive."

"Porque quem chega aqui é porque se destacou em algum lugar, não é? Vou embora com a cabeça bem alta", afirma Júlio César.

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