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Atualizado às: 10 de setembro, 2003 - 17h24 GMT (14h24 Brasília)
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Famílias de ilegais mortos no WTC buscam seus direitos

Visitantes observam o Ponto Zero em Nova York
Governo americano criou fundo para compensar vítimas de ataques

Na manhã deste 11 de setembro, a mexicana Imelda Reyes Soriano levará seus dois filhos, Juan, de dez anos, e Diego, de seis, para visitar o Ponto Zero, a cratera onde se erguia o World Trade Center.

A família prestará uma homenagem a Leovardo López, companheiro de Imelda e pai das crianças, morto durante os ataques de 2001. "Ele trabalhava como cortador de verduras do restaurante Windows on World. Vou levar as crianças para homenagear o pai", diz Imelda.

López era um trabalhador ilegal nos Estados Unidos. Além do golpe emocional, sua morte representou um grande baque financeiro para Imelda, Juan e Diego.

Assim como cerca de outras cem famílias dos chamados "trabalhadores indocumentados" mortos no WTC, Imelda e seus filhos tentam obter na Justiça americana o direito de viver legalmente nos Estados Unidos.

Questão legal

Depois de pressionado por organizações humanitárias, o Departamento de Justiça americano resolveu incluir os indocumentados no Fundo de Compensação às Vítimas de 11 Setembro de 2001.

O prazo para que as famílias apresentem a documentação necessária para se candidatar ao fundo termina no próximo dia 22 de dezembro.

"Acredito que boa parte das famílias das vítimas e de sobreviventes do World Trade Center não tenha se candidatado por falta de informação ou por medo de se apresentar à Justiça", diz a advogada Debra Steinberg.

Ela trabalha num projeto voluntário com o objetivo de regularizar a situação de imigrantes indocumentados, seus cônjuges e filhos nos Estados Unidos.

De acordo com a Associación Tepeyac, uma ONG de defesa de imigrantes hispânicos nos Estados Unidos, 54 famílias recorreram a seus préstimos para obter um atestado de óbito, documento imprescindível para se candidatar ao fundo federal.

Entretanto, ainda segundo a Associación Tepeyac, apenas 37 famílias hispânicas foram aprovadas pelo governo para receber compensação financeira.

Outras 11 famílias não conseguiram comprovar um vínculo legal entre o morto e seus dependentes.

Dependência econômica

É este justamente o caso de Imelda Reyes, que não era legalmente casada com Leovardo López, que ainda não se divorciara de sua primeira mulher, de quem estava separado há mais de nove anos na data de sua morte.

"A primeira mulher dele também entrou na Justiça, reclamando os mesmos direitos que eu", diz Imelda Reyes.

"Minha situação é muito difícil, porque o governo americano exige que eu prove ter sido dependente do Leovardo, mas acontece que não tenho os papéis."

Antes da tragédia, Leovardo López trabalhava no Windows on the World, enviando o dinheiro para Imelda no México. Ela vivia com as crianças na cidade de Puebla.

Posteriormente, Imelda obteve um visto temporário para si e seus filhos, concedido pelo governo americano em caráter humanitário.

Hoje vivendo no Estado de Nova Jersey, Imelda vive com a ajuda da renda obtida junto à Cruz Vermelha e a Associación Tepeyac, além de um fundo de apoio aos trabalhadores do Windows on the World.

"O dinheiro tem sido muito pouco e mal dá para pagar o aluguel, o armazém e vestir as crianças", diz Imelda. "Queremos ter a chance de viver neste país e reconstruir as nossas vidas."


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