|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Gravações relembram horror de 11 de setembro
A Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, dona do World Trade Center, liberou as transcrições das chamadas telefônicas feitas por pessoas que tentavam sair das torres gêmeas no dia 11 de setembro de 2001. A Autoridade Portuária havia inicialmente se oposto à liberação das cerca de 2 mil páginas de transcrições, mas um juiz determinou que elas fossem liberadas. A voz de pelo menos 36 vítimas foram identificadas nas gravações – a maioria de pessoas que trabalhavam para a Autoridade Portuária. A correspondente da BBC em Nova York, Jane Standley, disse que muitas das transcrições pintam um quadro doloroso dos últimos momentos nas vidas das vítimas e das pessoas que tentam salvá-las. Os ataques às torres gêmeas – supostamente realizados por pessoas suspeitas de pertencer à organização al-Qaeda, que sequestraram quatro aviões e bateram dois deles nos prédios – mataram pelo menos 2.792 pessoas. 'Pessoas pulando' Em uma das transcrições, publicada pelo website da ABC News, uma voz masculina diz que "ou um avião bateu no Trade Center, ou um foguete bateu no Trade Center –e tem gente por todo o lugar, morta". Em uma outra transcrição, uma voz masculina diz: "Eu vejo dezenas de corpos, pessoas simplesmente pulando do alto do prédio no... em frente de uma das torres". Uma voz feminina então pergunta: "O senhor vê o que pulando dos prédios?". A resposta é: "Pessoas – corpos estão simplesmente caindo do céu". A Autoridade Portuária perdeu 84 de seus funcionários no ataque. A sede da empresa ficava no World Trade Center. A empresa havia alegado que seria insensível para com as famílias das vítimas liberar as transcrições – e agluns dos familiares pensavam o mesmo. Mas outros parentes concordaram em liberar as transcrições, o que acabou sendo ordenado pelo juiz, a pedido da imprensa, com base na legislação referente à Liberdade de Informação. As gravações em si mesmas foram entregues a uma agência governamental, que tentará usá-las para determinar como e porque as torres desabaram e também tentará determinar a eficiência dos serviços de emergência. Dor Para muitos parentes das vítimas, a liberação das transcrições dos telefonemas é algo duro de se aceitar. "Para mim e minhas crianças, é como um tapa na cara, como se aquilo acontecesse de novo", diz Leila Negron, de 36 anos, cujo marido, Peter, trabalhava numa das torres como especialista ambiental. Após ler trechos das transcrições, Laurie Tietjen, que perdeu o irmão nos ataques, disse temer que a imprensa reproduza o seu teor de maneira insensível. "As pessoas estão procurando as histórias de horror, não as coisas boas", declarou. "Muita informação ali é bastante pessoal. Não ajuda levá-la a público. É extremamente doloroso para as famílias." Mas nem todos os familiares acreditam que a divulgação é algo ruim. Monica Gabrielle, de West Haven, Connecticut, perdeu o marido, Richard, nos atentados de 11 de setembro. "Não há muita coisa que seja privada sobre isso", disse Monica. Dorothy McLaughlin, cujo filho George morreu nos edifícios, disse que, embora a informação possa ser chocante, "sei que muitas famílias gostariam de escutar (as gravações)". Ela acrescentou que não sabe se deseja escutar as ligações feita pelo seu filho e que não sabe se ele teve tempo de fazer alguma antes de morrer. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||