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Órfãos do 11 de Setembro crescem sob a sombra do atentado

Cherilyn Curia
Cherilyn Curia perdeu o pai que era corretor numa das torres

Cherilyn Curia é uma menina falante e entusiasmada, que acredita ser filha de um pai especial. Mas ela não o vê desde aquele 11 de setembro de 2001 quando ele foi trabalhar no World Trade Center e nunca mais voltou para casa.

Ela é uma das milhares de crianças que perderam seus pais, quando quatro aviões foram seqüetrados e arremessados em alvos em Nova York, Washington e na Pensilvânia.

A menina de 10 anos conhece na escola dela uma colega que também perdeu o pai muito jovem, vítima de câncer.

Mas Cherilyn e os outros órfãos do 11 de Setembro têm que viver suas vidas de maneira muito mais pública, em que pessoas completamente estranhas vão se lembrar do aniversário da tragédia e talvez até mesmo sintam que estejam dividindo a perda, quer tenham conhecido as vítimas ou não.

Memórias

Cherilyn tinha idade suficiente para guardar muitas lembranças de seu pai, Larry, que trabalhava como corretor para a Cantor Fitzgerald no 104º andar da Torre Norte.

"Ele era muito legal", disse ela à BBC. "Ele me amava e eu o amava. A gente tinha essa ligação porque eu era a primeira filha. Ele me levou para o centro da cidade e nos divertimos muito no "Leve sua filha para um dia de trabalho'", conta.

Ela se preocupa mais com o seu irmão mais novo, Mitchell, que tinha apenas quatro anos quando Larry morreu.

Mas a menina promete ajudá-lo como irmã mais velha e espalhou fotos do pai por toda a casa em Garden City, Long Island.

Além de as memórias do bom pai serem possíveis para alguém da idade dela, Cherilyn também estava crescida o bastante para entender como a vida ao redor dela mudou depois disso.

Ela soube dos ataques quando voltou para casa depois da escola naquela terça-feira, mas foi só no dia seguinte quando sua mãe a acordou cedo, para dizer que seu pai estava no prédio e que pessoas na escola poderiam comentar sobre isso, que ela sentiu o que estava acontecendo.

A menina voltou à escola naquele dia e encontrou professora, colegas de classe e amigos todos a tratando de uma maneira diferente, que até hoje não mudou.

Cherilyn tem bons amigos, mas diz: "algumas crianças que agora são legais comigo não eram há dois anos. Elas mudaram porque eu não tenho pai".

Crianças

A história não é rara na região dos três Estados ao redor da cidade de Nova York.

Algumas crianças podem ser as únicas no campo de futebol sem seus pais para comemorar, amigos podem evitá-las por não terem o que dizer no Dia das Mães ou elas podem estar tendo um bom dia quando todos os outros pensam que estão tristes.

Muitos deles estão se encontrando através de um grupo chamado Crianças da Terça-feira, fundado por Chris Burke como rede de suporte para famílias. Burke perdeu seu irmão, Tom, um pai de quatro filhos, que estava no prédio.

Para Cherilyn, o Crianças da Terça-Feira significa um dia especial fora de casa e poucas horas todas as semanas com um mentor a quem ela diz que pode confidenciar qualquer coisa.

Num piquenique no estádio Shea, casa do time de basebol nova-iorquinho New York Mets, Bryan Ruiz-Diaz está vestido com as cores do time e pronto para conseguir uma bola autografada.

O menino de Valley Stream, Long Island, é muito mais reservado e não dá informações sobre seu pai Obdúlio de forma voluntária.

Ele era um arquiteto que participava de uma reunião num restaurante no último andar do prédio em que o primeiro avião bateu.

Apesar de ter apenas seis anos de idade em 2001, ele notou a maneira com que outras pessoas lideram com sua perda, mesmo aquelas que ele pensava serem amigos.

"Algumas vezes elas passam por mim sem dizer oi", disse ele.

Mentores

Mas o programa de mentores gerenciado pelo Crianças da Terça-Feira o colocou no grupo de John Perkett, que passa um tempo com ele todas as segundas-feiras.

As duas irmãs mais velhas de Bryan, Vanessa e Pamela, também saem nas noites de segunda-feira e os três mentores viraram algo parecido com um tio e duas tias, de acordo com Rosa, a mãe das crianças, preenchendo o vazio deixado por amigos adultos e parentes que deixaram de visitar a família depois da morte de Obdúlio.

Bryan não tem certeza sobre como classificar John, mas diz que os dois serão amigos para sempre e gosta do tempo que passam juntos.

"Descer no escorregador de água é muito legal", diz o menino.

John, que se voluntariou para o programa através de seu trabalho para o banco de investimentos Bear Stearns, também estará por perto se e quando Bryan decidir desabafar.

Cherilyn reconhece que seu mentor é uma das boas coisas que vieram de uma situação ruim.

Mas ela coloca em palavras o que outras crianças também sentem.

"Se meu pai estivesse aqui, eu provavelmente não teria vindo para esse grande campo e não faria coisas que já fiz. Mas preferiria ele do que qualquer coisa. Ele é meu pai".

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