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Atualizado às: 14 de agosto, 2003 - 20h10 GMT (17h10 Brasília)
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Suposto membro da Al-Qaeda é julgado na Alemanha
Abdelghani Mzoudi
A relação de Mzoudi com Mohammed Atta será examinada

Um suposto membro da organização Al-Qaeda começou a ser julgado nesta quinta-feira na cidade alemã de Hamburgo.

Abdelghani Mzoudi, de origem marroquina, é a segunda pessoa a ser levada a julgamento na Alemanha por envolvimento nos ataques de 11 de setembro de 2001 aos Estados Unidos. O governo americano afirma que a Al-Qaeda está por trás dos ataques.

Mzoudi é acusado de haver instigado e ajudado a praticar assassinatos e de pertencer a uma organização que a Justiça alemã considera terrorista.

A promotoria vai se concentrar na amizade entre Mzoudi e Mohammed Atta, o suposto líder dos seqüestradores, e de outros integrantes da célula de Hamburgo.

O réu morou no apartamento de Mohammed Atta na cidade e assinou o testamento dele como testemunha.

Mzoudi foi preso na cidade em outubro passado.

De acordo com o promotor do caso, Matthias Krauss, "de meados de 1999 até 11 de setembro de 2001, Mzoudi foi membro de uma organização terrorista e ajudou supostos terroristas a praticarem assassinato e outros crimes", afirmou.

"Transferências bancárias"

Alega-se que Mzoudi arranjou transferências bancárias para os membros da célula da Al-Qaeda em Hamburgo e compareceu a cursos nos campos de treinamento da organização no Afeganistão.

Ele ouviu as acusações em silêncio, posicionado-se atrás de uma parede de vidro a prova de balas.

Falando em árabe e alemão rudimentar, Mzoudi leu uma breve declaração descrevendo sua vida. Ele não mencionou qualquer ligação com os suspostos seqüestradores ou comparecimento a campos de treinamento.

"Minha mãe me criou e tentou transmitir para mim os valores de honestidade, não roubar e não matar - exatamente os bons valores do Islã", disse o réu.

Mzoudi mudou-se da Alemanha para o Marrocos em 1993.

Os advogados de defesa devem argumentar que, embora seu cliente conhecesse Mohammed Atta e outros acusados de serem seqüestradores, ele não sabia nada sobre o plano para atacar o World Trade Center.

Em fevereiro, um outro homem de origem marroquina, Mounir Al-Motassadek, foi condenado a 15 anos de prisão em julgamento em Hamburgo.

Mzoudi enfrenta as mesmas acusações e, provavelmente, a mesma sentença.

Acredita-se que Motassadek incriminou-se durante seu depoimento.

Não há expectativa de que Mzoudi deponha em sua própria defesa depois da declaração desta quinta-feira.

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