|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Médicos negam que férias tenham causado mortes na França
Os médicos franceses reagiram com irritação a um relatório oficial que diz que o êxodo "maciço" da categoria nas férias de agosto contribuiu para o elevado número de mortos durante a onda de calor que atingiu o país. O relatório, divulgado na segunda-feira, afirma que houve falha de comunicação entre diferentes departamentos e pessoal médico de emergência, e culpa, além das férias, a semana de trabalho de 35 horas. Hospitais e necrotérios ficaram lotados quando as temperaturas ultrapassaram a marca dos 40 graus e o governo confirmou que mais de 11.400 pessoas morreram. Mas médicos de família afirmam que não vão aceitar a culpa por falhas mais amplas no sistema. 'Sistema de alerta fraco' "Pessoas que estavam de férias elas mesmas estão transferindo a culpa para as outras pessoas em férias", disse Michel Combier, presidente da associação de médicos de família Unof. "Os médicos fizeram o trabalho deles. O problema não é que todos estavam de férias, mas que o sistema de alerta estava fraco demais para permitir que os hospitais conseguissem chamar todos de volta ao trabalho", afirmou Combier. Um outro grupo, a Confederação dos Sindicatos dos Médicos Franceses, também reagiu com irritação. Seu presidente, Michel Chassang, disse que os médicos estão entre as categorias que trabalham por períodos mais prolongados - "uma média de 59 horas por semana", afirmou. Segundo Chassang, estão buscando um bode expiatório para a crise. O relatório, encomendado pelo Ministério da Saúde, disse que o êxodo "maciço" de médicos foi um fator significativo na crise. "Os hospitais estavam com dificuldades cada vez maiores de obter pessoal médico em números suficientes", diz o documento. "Apesar de seus esforços, os funcionários não conseguiram impedir a lotação quase absoluta dos serviços de emergência e a concentração de pessoas quase intolerável nos corredores dos hospitais." Segundo o relatório, os departamentos do governo e os serviços de emergência não tinham sistema para compartilhar informações, e algumas autoridades-chave não tinham habilidade para prevenir uma crise, apenas para reagir a ela. O documento recomenda novas formas de trabalho - inclusive com ligações entre o serviço de previsão do tempo e as autoridades sanitárias - e um novo sistema de alerta, para garantir que a tragédia não se repita. O governo francês disse que pode cancelar 1 dos 11 feriados nacionais para financiar mais cuidados para os idosos. A tragédia levantou ainda no país o debate sobre a separação de muitos idosos de suas famílias. Além de 11.400 mortos na França, a onda de calor em julho e agosto na Europa matou 1.400 pessoas na Holanda, 1.300 em Portugal, 900 na Grã-Bretanha e 100 na Espanha. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||