BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 09 de setembro, 2003 - 13h47 GMT (10h47 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Médicos negam que férias tenham causado mortes na França
Mulher hospitalizada
A tragédia levou a uma reflexão sobre o isolamento dos mais idosos.

Os médicos franceses reagiram com irritação a um relatório oficial que diz que o êxodo "maciço" da categoria nas férias de agosto contribuiu para o elevado número de mortos durante a onda de calor que atingiu o país.

O relatório, divulgado na segunda-feira, afirma que houve falha de comunicação entre diferentes departamentos e pessoal médico de emergência, e culpa, além das férias, a semana de trabalho de 35 horas.

Hospitais e necrotérios ficaram lotados quando as temperaturas ultrapassaram a marca dos 40 graus e o governo confirmou que mais de 11.400 pessoas morreram.

Mas médicos de família afirmam que não vão aceitar a culpa por falhas mais amplas no sistema.

'Sistema de alerta fraco'

"Pessoas que estavam de férias elas mesmas estão transferindo a culpa para as outras pessoas em férias", disse Michel Combier, presidente da associação de médicos de família Unof.

"Os médicos fizeram o trabalho deles. O problema não é que todos estavam de férias, mas que o sistema de alerta estava fraco demais para permitir que os hospitais conseguissem chamar todos de volta ao trabalho", afirmou Combier.

Um outro grupo, a Confederação dos Sindicatos dos Médicos Franceses, também reagiu com irritação.

Seu presidente, Michel Chassang, disse que os médicos estão entre as categorias que trabalham por períodos mais prolongados - "uma média de 59 horas por semana", afirmou.

Segundo Chassang, estão buscando um bode expiatório para a crise.

O relatório, encomendado pelo Ministério da Saúde, disse que o êxodo "maciço" de médicos foi um fator significativo na crise.

"Os hospitais estavam com dificuldades cada vez maiores de obter pessoal médico em números suficientes", diz o documento.

"Apesar de seus esforços, os funcionários não conseguiram impedir a lotação quase absoluta dos serviços de emergência e a concentração de pessoas quase intolerável nos corredores dos hospitais."

Segundo o relatório, os departamentos do governo e os serviços de emergência não tinham sistema para compartilhar informações, e algumas autoridades-chave não tinham habilidade para prevenir uma crise, apenas para reagir a ela.

O documento recomenda novas formas de trabalho - inclusive com ligações entre o serviço de previsão do tempo e as autoridades sanitárias - e um novo sistema de alerta, para garantir que a tragédia não se repita.

O governo francês disse que pode cancelar 1 dos 11 feriados nacionais para financiar mais cuidados para os idosos.

A tragédia levantou ainda no país o debate sobre a separação de muitos idosos de suas famílias.

Além de 11.400 mortos na França, a onda de calor em julho e agosto na Europa matou 1.400 pessoas na Holanda, 1.300 em Portugal, 900 na Grã-Bretanha e 100 na Espanha.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade