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Atualizado às: 07 de setembro, 2003 - 16h11 GMT (13h11 Brasília)
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Perfil: Xeque Yassin, líder espiritual do Hamas

O líder nasceu em 1938 e ficou preso nove anos em Israel
O líder nasceu em 1938 e ficou preso nove anos em Israel

O xeque Ahmed Yassin, líder espiritual do Hamas, que escapou no sábado de um ataque israelense em Gaza, é um homem frágil, que mal pode enxergar.

O líder de voz baixa e trêmula tem um poder cada vez maior entre os palestinos, frustrados com o processo de paz.

Nascido em 1938 no que era a Palestina sob o mandato britânico, as opiniões políticas de Yassin se formaram durante um tempo de humilhações e derrotas para os palestinos.

Após o acidente que o deixou tetraplégico ainda durante a infância, o xeque dedicou a sua vida aos estudos islâmicos. Ele cursou universidade em Cairo, no Egito.

Lá, ele consolidou a sua convicção de que o a Palestina é uma terra islâmica para as futuras gerações muçulmanas, até o Dia do Juízo Final. Logo, nenhum líder árabe tem o direito de ceder nenhuma parte deste território.

Yassin ganhou notoriedade durante a primeira intifada palestina, em 1987. Foi aí que o movimento palestino islâmico ganhou o nome de Hamas, que significa fervor, e Yassin virou o seu líder espiritual.

Em 1989, o xeque foi preso por Israel e condenado à prisão perpétua por ordenar o assassinato de palestinos que supostamente colaboravam com os militares israelenses.

Ele foi solto em 97 numa troca de prisioneiros entre Israel e Jordânia. Os jordanianos libertaram dois agentes secretos israelenses envolvidos em uma tentativa de assassinto contra o líder do Hamas na Jordânia.

Na prisão, Yassin ganhou mais importância e virou um símbolo da resistência palestina, mas a sua popularidade era menor do que a do líder Yasser Arafat.

Por acreditar que uma liderança dividida minaria os interesses palestinos, o xeque manteve uma política de boa vizinhança com a Autoridade Palestina e com outros regime do mundo árabe.

No entanto, ele nunca se comprometeu com o processo de paz. "O chamado caminho da paz não representa a paz e não substitui o jihad e a resistência", disse Yassin várias vezes.

O Hamas tem sido capaz de aumentar a sua legitimidade ao oferecer ajuda material aos palestinos que têm sofrido com o bloqueio econômico de Israel, durante a atual intifada.

O grupo montou fundos de caridade, escolas e hospitais, que oferecem serviços gratuitos para as famílias desfavorecidas. O Hamas consegue captar milhões de dólares do Golfo Pérsico e de outras regiões do mundo.

O xeque Yassin serve de inspiração para os jovens palestinos frustrados pelo colapso do processo de paz. Ele os inspira a oferecer a própria vida, ao prometer que o homem-bomba, que morre a serviço da causa palestina, vai virar um mártir.

As tentativas de restringir as atividades do xeque recebem forte oposição daqueles que o defendem. Em dezembro de 2001, um homem morreu durante um confronto com a polícia palestina, após Yassin ter sido submetido a prisão domiciliar.

Um novo tiroteio ocorreu em junho do ano passado, quando policiais palestinos cercaram a sua casa de uma seqüência de atentados suicidas contra Israel.

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