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Tony Blair depõe no caso da morte de cientista
O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, depõe nesta quinta-feira na comissão de inquérito que apura a morte do cientista David Kelly, especialista em armas do Iraque. Os integrantes da comissão deverão pedir a Blair que explique como o nome do cientista veio a público depois que Kelly admitiu a seus superiores no Ministério da Defesa que se encontrara com o jornalista Andrew Gilligan, da BBC. Gilligan foi autor de reportagem que dizia que o governo Blair exagerou o perigo representado pelas armas do Iraque em relatório apresentado à nação e aos parlamentares antes da guerra que derrubou o regime de Saddam Hussein. A invasão do Iraque contava com oposição considerável da opinião pública e de parlamentares na Grã-Bretanha. No depoimento, iniciado às 06h30 (hora de Brasília), Blair também deverá ter que responder se ele ou qualquer de seus auxiliares diretos pediram que o relatório dos serviços de segurança fosse maquiado. Esta é a segunda vez na história britânica que um primeiro-ministro comparece perante um inquérito judicial. A primeira vez foi quando o antecessor de Blair, o conservador John Major, depôs num inquérito sobre a venda de armas para o Iraque há nove anos, em violação a um embargo em vigor na época. Fila Na noite de quarta-feira começaram a se formar filas diante da Corte Real de Justiça, no centro de Londres, de pessoas que queriam observar o depoimento de Blair das galerias. O esquema de segurança em volta do prédio foi reforçado. A pressão sobre Blair será mais intensa depois que o Ministro da Defesa, Geoff Hoon, prestou depoimento na quarta-feira indicando que não é culpado pela divulgação do nome de Kelly. "Se o senhor está sugerindo que houve um esforço deliberado para identificar Kelly, está completamente errado", afirmou Hoon, ao promotor que o interrogava na sessão presidida pelo juiz Brian Hutton, na Corte Real de Justiça. O ministro disse ainda que a decisão de divulgar informação – em um comunicado à imprensa – de que um funcionário do governo havia admitido ter conversado com Andrew Gilligan, autor da reportagem da BBC, partiu do gabinete do primeiro-ministro Tony Blair, e não do Ministério da Defesa. Embora o comunicado não citasse Kelly, o documento foi o primeiro passo para a descoberta do seu nome. Geoff Hoon reconheceu, porém, que havia uma grande possibilidade de Kelly ser identificado após o comunicado. O presidente do conselho administrativo da BBC, Gavyn Davis, e um amigo de Kelly, o jornalista Tom Mangold, devem depor depois do primeiro-ministro britânico. |
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